Exército retoma campo de refugiados no Líbano e 31 morrem

Batalha por Nahr al-Bared foi uma "vitória sobre o terrorismo", diz premiê; militantes foram mortos em fuga

Reuters e Efe,

02 de setembro de 2007 | 10h32

O exército libanês tomou controle neste domingo, 2, de um campo de refugiados palestinos no norte do Líbano, onde tem combatido militantes islâmicos há mais de três meses, informou uma fonte de segurança. Só neste domingo, 31 militantes foram mortos, enquanto tentavam fugir do campo.   "A batalha acabou. O exército libanês controla as últimas posições do grupo Fatah al-Islam no campo", disse a fonte à Reuters, sobre o campo Nahr al-Bared, no norte do Líbano.   "A maioria dos terroristas foi morta hoje e outros foram capturados. Alguns devem ter escapado, mas o exército está atrás deles."   Cerca de 10 combatentes do Fatah al-Islam foram capturados quando tentavam escapar do campo. O exército estima que 35 combatentes estavam no campo neste domingo, mas não ficou claro se todos tentaram fugir.   Os combates são a pior escalada de violência interna no Líbano desde a guerra civil (1975-1990) e mais de 300 pessoas morreram.   Dois soldados também foram mortos neste domingo, elevando para 154 o número de vítimas militares em três meses de conflito. Pelo menos 120 militantes e 42 civis morreram.   Um comunicado do exército disse que os militantes começaram a agir no início da manhã. Eles "atacaram posições do exército em tentativa desesperada de fugir", diz o texto, que pede para os cidadãos comunicarem o exército sobre indivíduos suspeitos.   Pelo menos três homens armados fora do campo também atacaram uma posição militar a fim de ajudar na fuga, segundo fontes de segurança.   O exército e a marinha patrulhavam a região com homens, helicópteros e barcos no mar Mediterrâneo. A maioria dos 40.000 moradores fugiu para outro campo de refugiados palestinos logo no início da batalha, que começou em 20 de maio, quando, de acordo com o exército, o Fatah al-Islam atacou posições militares perto de Nahr al-Bared e da cidade de Tripoli.   O Fatah al-Islam é dissidente de uma facção palestina apoiada pela Síria e separou-se no ano passado. O grupo afirma que compartilha da ideologia da Al Qaeda, mas que não tem ligação organizacional com a rede. O grupo sunita tem combatentes libaneses, sauditas e sírios.   O destino de Shaker al-Abssi, líder palestino do grupo, não ficou claro.   Os militantes conseguiram causar baixas no exército, apesar dos bombardeios aéreos e de artilharia. Suas mulheres e filhos foram retirados do campo em 24 de agosto.   Vencendo o terror   O primeiro-ministro do Líbano, Fouad Siniora, classificou a tomada do campo de Nahr al-Bared pelo Exército como uma "vitória sobre o terrorismo".   Siniora, em discurso televisado, afirmou que estes quase três meses e meio de combates não foram uma guerra contra os palestinos. "Com o sangue dos mártires e a união o Fatah al-Islam foi vencido", declarou.   As declarações de Siniora foram feitas horas depois de o Exército anunciar que tinha o controle total do acampamento onde enfrentava milicianos da Fatah al-Islam desde o dia 20 de maio.   Em seu discurso, Siniora acrescentou que "o país e suas forças legítimas são as que protegem e garantem a segurança dos cidadãos e do país".   "O Exército é quem venceu a desagregação e o caos", declarou Siniora, ressaltando que o órgão que atuou no sul após o conflito de Israel contra a milícia xiita libanesa Hezbollah, entre julho e agosto de 2006, é o mesmo que se impôs em Nahr al-Bared.   De acordo com os observadores, as declarações são uma mensagem velada às forças da oposição, lideradas pelo Hezbollah, que colocam em xeque a legitimidade do atual governo.   Siniora pediu aos cidadãos para permanecerem unidos "no caminho do acordo para sair da atual crise" vivida pelo Líbano, devido à saída em novembro do ano passado de todos os ministros xiitas do executivo, por reivindicarem uma maior repartição do poder.   Além disso, o chefe do Executivo insistiu em que seu governo e o Exército continuarão "empenhados em que o Líbano não se transforme em um campo de batalha no qual sejam dirimidos os conflitos regionais e internacionais".   A oposição acusa a atual maioria parlamentar de ser a "quinta coluna" dos Estados Unidos e da França no Líbano, enquanto o governo classifica a oposição de ser a marionete da Síria e do Irã.   Em seu discurso, o primeiro-ministro libanês também prometeu que reconstruiria Nahr al-Bared e seus arredores como já tinha prometido, embora especificou que a partir de agora a localidade ficará sob a tutela do Estado.   As autoridades palestinas fizeram um acordo com o Estado libanês pelo qual elas se encarregariam da segurança dentro destes povoados, enquanto as forças de segurança se limitariam a controlar seus arredores.   Em virtude deste acordo, no dia 20 de maio, depois que milicianos radicais atacaram um posto militar na parte externa do acampamento, as tropas libanesas foram obrigadas a lançar ataques contra os milicianos a partir do ar e do perímetro do povoado, até que finalmente obtiveram permissão para entrar.

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