Êxodo do Iraque leva vizinhos árabes a pedir ajuda

Dois milhões já deixaram o país; para ONU, 'crise humanitária' ameaça estabilidade da região

BBC Brasil, BBC

26 Julho 2007 | 10h00

Uma conferência internacional que teve início nesta quinta-feira, 26, em Amã, na Jordânia, discute como aliviar o impacto do êxodo de iraquianos nos países que os recebem. Mais de 2 milhões iraquianos já deixaram o seu país e, segundo estimativas da ONU, a saída em massa continua a um ritmo de 50 mil pessoas por mês. Jordânia e Síria, principais destinos dos que deixam o Iraque, querem ajuda internacional para aliviar a sobrecarga sobre os seus serviços públicos. Egito e Líbano também recebem refugiados, embora em números menores. O Alto Comissariado da ONU para Refugiados (Acnur, na sigla em inglês) definiu o êxodo como uma crise humanitária que ameaça a estabilidade da região. Por conta disso, a agência dobrou o valor que pede todo ano para ajudar a restabelecer refugiados iraquianos para US$ 123 milhões, a fim de melhorar os serviços de saúde e acomodação, entre outros. A meta da agência é encontrar um lar permanente para 20 mil exilados iraquianos até o fim deste ano. O Acnur chamou a comunidade internacional a fornecer ajuda financeira e a receber os refugiados iraquianos, conforme vários países disseram que fariam. Os Estados Unidos, por exemplo, anunciaram no início deste ano que receberia sete mil iraquianos refugiados até o fim de setembro, mas permitiu a entrada de apenas 133 nos últimos nove meses por causa de estritas medidas de segurança.   Destinos Os governos de Jordânia e Síria querem ser assegurados de que os iraquianos eventualmente voltarão para a sua terra natal ou serão realocados em algum outro lugar. A Jordânia disse em maio que dar abrigo aos iraquianos estava lhe custando US$ 1 bilhão por ano. O governo já encomendou uma pesquisa para determinar o exato número de iraquianos em solo jordaniano. O governo jordaniano garante imunização gratuita a todas as crianças que vivem no seu território, mas não todos os serviços de saúde. As escolas públicas, que já estão funcionando no seu limite, aceitam apenas um pequeno número de crianças iraquianas com permissão de residência na Jordânia. A Síria abriga cerca de 1,5 milhão de iraquianos. Damasco oferece mais serviços aos iraquianos do que Amã, mas, segundo a ONU, ainda assim somente uma fração das centenas de milhares de crianças iraquianas refugiadas freqüentem a escola.   BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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