Expansão israelense é 'guerra' no processo de paz, diz OLP

Negociador palestino critica plano de Israel de criar mais 1.100 novas casas para judeus em Jerusalém Oriental

Agência Estado e Associated Press,

13 de fevereiro de 2008 | 13h19

O plano israelense de construir mais de 1.100 novas habitações para judeus em Jerusalém Oriental, setor onde vivem árabes em sua maioria, é "uma declaração de guerra ao processo de paz", denunciou nesta quarta-feira, 13, o negociador-chefe da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), Ahmed Qureia. Na opinião de Qureia, o plano anunciado pelo ministro da Habitação de Israel, Zeev Boim, minará as negociações de paz entre israelenses e palestinos atualmente em andamento. Quando começaram a negociar, as partes manifestaram a intenção de obter um acordo até o fim deste ano. "Em um momento no qual todo mundo espera um trabalho sério e negociações dignas de crédito para que se obtenha um amplo e duradouro acordo de paz, os líderes israelense aparecem com essa perigosa declaração, a qual consideramos uma declaração de guerra contra nosso povo e nossos direitos nacionais, assim como uma declaração de guerra ao processo de paz", denunciou Qureia. De acordo com o negociador palestino, o objetivo do plano anunciado ontem por Israel é "sabotar e paralisar qualquer trabalho sério na busca por uma paz genuína na região".  Tanto israelenses quanto palestinos reivindicam Jerusalém como capital. A cidade - sagrada para cristãos, judeus e muçulmanos - foi capturada por Israel em 1967, durante a Guerra dos Seis Dias. Anos mais tarde, o governo israelense anexou a cidade e a declarou sua capital "eterna e indivisível". As iniciativas israelenses, no entanto, são rechaçadas pela comunidade internacional, que defende uma solução negociada. Os palestinos reivindicam o lado de predominência árabe da cidade, conhecido como Jerusalém Oriental, como capital de seu futuro Estado independente e soberano. Segundo Zeev Boim, estão em andamento os planos para a construção de 370 apartamentos em Har Homa e de mais 750 em Pisgat Zeev, dois bairros judeus de Jerusalém Oriental. Atualmente, cerca de 180 mil israelenses vivem no setor árabe da cidade. De acordo com o último censo, 208 mil palestinos vivem em Jerusalém Oriental. Ao contrário dos palestinos e da comunidade internacional, Israel não considera que as construções em Jerusalém Oriental constituam atividade de assentamento. Israel tem planos de manter os judeus em Jerusalém Oriental depois de um eventual acordo de paz, mas os palestinos consideram que as ações israelenses comprometerão a possibilidade de acordo. Qureia tem se reunido regularmente com a ministra israelense das Relações Exteriores, Tzipi Livni, que chefia a equipe de negociadores de seu país. Segundo ele, porém, poucos progressos têm ocorrido porque as negociações vêm sendo prejudicadas pelas obras israelenses em Jerusalém Oriental e pelos foguetes disparados por rebeldes palestinos de Gaza na direção de Israel.

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