Explosão atinge edifício com órgãos de imprensa em Gaza

Dois jornalistas ficaram feridos em um aparente ataque israelense contra um edifício em Gaza na quinta- feira, forçando a Reuters e outros meios de comunicação a deixarem seus escritórios, atrapalhando a cobertura em um dia de intensos combates na cidade. A televisão Abu Dhabi, com sede no Golfo, disse acreditar que seus dois jornalistas tenham sido alvejados por um caça israelense enquanto filmavam a partir da redação, no 14o andar da Torre Al-Shurouq, no centro da cidade. Aparentemente, eles não corriam risco de morte. Dois andares abaixo, estilhaços de metralhadora atingiram o escritório da Reuters, sem deixar feridos, mas forçando a equipe a deixar o local imediatamente. As forças israelenses entraram mais a fundo na cidade na quinta-feira, combatendo guerrilheiros do movimento islâmico Hamas, que governa o enclave palestino, enquanto prosseguiam as negociações internacionais para um cessar-fogo. Via-se fumaça saindo dos andares superiores do prédio de 16 andares chamado Al-Shurouq e uma câmera remota do escritório da Reuters, que ao longo da guerra exibia imagens ao vivo, parou de funcionar. Mais tarde, imagens de televisão mostraram a redação da TV Abu Dhabi coberta com destroços, com buracos nas paredes e equipamentos danificados. Um porta-voz do Exército israelense, que havia conversado com a Reuters pouco antes da explosão para confirmar a localização do escritório em Gaza, disse que eles estavam investigando o ocorrido. Seis horas mais tarde, o Exército ainda devia uma explicação. "Ayman al-Razzi ... e o cinegrafista Mohammed al-Sousi filmavam os ataques israelenses...quando um caça israelense disparou um foguete diretamente contra eles, resultando numa explosão dentro do escritório e ferimentos por estilhaços", disse a TV Abu Dhabi em um comunicado. Em resposta aos danos à redação da Reuters, cuja localização exata havia sido informada às forças israelenses, o editor-chefe da Reuters, David Schlesinger, disse: "Peço que todos os lados do conflito tenham o máximo de cuidado em torno de profissionais que estão tentando relatar a situação com precisão ao redor do mundo". O governo israelense, que proibiu jornalistas estrangeiros de entrarem na Faixa de Gaza, acusa o Hamas de colocar civis em risco ao combater em áreas residenciais. Jornalistas da Reuters disseram não ter visto homens armados perto da redação em Gaza antes de serem atingidos. A agência internacional de notícias também expressou preocupação para os militares e o governo israelense sobre declarações feitas por soldados em campo nesta semana de que eles estavam alvejando qualquer pessoa na Faixa de Gaza que aparentasse "observar" seus movimentos -- comentários que pareciam implicar grande risco a jornalistas. Schlesinger, o editor-chefe da Reuters, disse na quinta-feira. "Há 157 anos a Reuters tem se comprometido em contar uma notícia global de forma imparcial, precisa e sem viés. Os ataques recentes em Gaza são um lembrete dos riscos corridos por nossos jornalistas para conseguir a história de forma correta." (Reportagem de Abed Shana, em Gaza, Labib Nasir, em Jerusalém, e Ahmed Seif, em Dubai)

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