Explosão em Beirute mata parlamentar anti-Síria

Segundo informações preliminares, ao menos outras seis pessoas morreram com a explosão

Associated Press,

19 de setembro de 2007 | 11h55

Uma forte explosão em um bairro de maioria cristã da região leste de Beirute matou um parlamentar governista e outras seis pessoas nesta quarta-feira, 19.   O atentado a bomba parecia ter como alvo o político anti-Síria Antoine Ghanem, de 64 anos, do direitista Partido Falangista Cristão, disseram autoridades.   A rádio Voz do Líbano, controlada pelos falangistas, confirmou a morte de Ghanem. As identidades dos outros mortos ainda não são conhecidas.   O ataque ocorreu seis dias antes da sessão parlamentar que elegerá um novo presidente para o país. A votação é considerada um momento chave no conturbado contexto político libanês, que é historicamente dividido entre facções pró e anti-Síria.   O Líbano tem sido alvo freqüente de atentados políticos nos últimos dois anos. O episódio mais recente resultou na morte do parlamentar Walid Eido, em 13 de junho. Ghanem, por sua vez, é o oitavo político anti-Síria a ser morto desde 2005. Entre os mortos estão três membros da maioria, o que reduziu a margem de manobra do partido governista no Parlamento.   Segundo a rede de TV local LBC, ao menos 20 pessoas ficaram feridas na explosão, que ocorreu no distrito de Sin el-Fil, bairro que abriga a casa do ex-presidente Amin Gemayel, cujo filho, o ministro da Indústria Pierre Gemayel, foi morto a tiros em novembro. Imagens transmitidas pela emissora mostravam prédios severamente danificados e carros em chamas, além de uma espessa nuvem de poeira cinza. Especialistas em explosivos promoviam buscas na carcaça do carro de Ghanem, que foi jogado a cerca de 50 metros de distância com a força da explosão.   Ghanem é o oitavo político assassinado no Líbano desde 2005       'Políticos liquidados'   "Está claro, parlamentares da maioria (anti-Síria) estão sendo liquidados", denunciou o ministro Ahmed Fatfat. Ele culpou a Síria pelo atentado. "É o único regime que não quer que sejam realizadas eleições presidenciais no Líbano", afirmou.   O ex-presidente Gemayel, que lidera o Partido Falange, disse que a democracia está em risco no Líbano. "Não trata-se mais da questão das eleições presidenciais. A questão é a sobrevivência do país, e a democracia no país está em risco", salientou ele à rede americana CNN.   O atentado desta quarta-feira eleva a tensão antes de uma eleição presidencial que já ameaçava lançar o país numa crise ainda mais profunda. Muitos temem que a divisão envolvendo a presidência leve à formação de dois governos rivais, uma arrepiante lembrança dos últimos dois anos da guerra civil de 1975 a 1990, quando unidades rivais do exército leais a administrações diferentes se enfrentaram nas ruas.   O mandato do presidente pró-síria Emile Lahoud expira em 23 de novembro, e partidários do primeiro-ministro pró-EUA Fuad Siniora vêm a eleição como uma oportunidade para colocar um dos seus no cargo. O grupo muçulmano xiita Hezbollah e seus aliados disseram que negarão o quórum de dois terços no Parlamento se não for apresentado um candidato com o qual concordem.   Se não for eleito um candidato até a saída de Lahoud, Saniora e seu gabinete assumirão automaticamente poderes executivos. Se isso ocorrer, a oposição diz que Lahoud apontará um segundo governo, a que pode rachar o país.   Com a morte de Ghanem, partidários de Saniora controlam 68 das 128 cadeiras do Parlamento, contra 59 da oposição.   Conflito   A onda de assassinatos de figuras anti-Síria que assusta o Líbano começou com o assassinato do ex-primeiro-ministro Rafik Hariri, que foi morto em um grande atentado em Beirute em 2005. A oposição anti-Síria no Líbano acusa Damasco de estar por trás do assassinato.   O incidente espalhou uma onda de protesto que levou à retirada das forças sírias estacionadas há quase 30 anos no Líbano, além da eleição de uma coalizão de governo formada por forças anti-Síria.   Desde então, o governo do primeiro-ministro pró-EUA, Fuad Saniora, encontra-se preso a uma disputa de poder com a oposição, controlada pelo Hexbollah, grupo de origem guerrilheira aliado da Síria.   Membros do governo acusam a Síria de tentar minar a pequena maioria parlamentar do governo através do assassinato de importantes membros da coalizão.

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