Explosões de bombas matam quase 60 no Iraque

Cinco explosões de bombas nesta quinta-feira em bairros xiitas de Bagdá e numa localidade no sul do Iraque mataram pelo menos 59 pessoas e deixaram dezenas de feridos, segundo fontes policiais e hospitalares.

KAREEM RAHEMM, REUTERS

05 de janeiro de 2012 | 11h11

Os incidentes ressaltam a preocupação com o reinício da violência sectária no Iraque, numa crise que começou em 19 de dezembro, quando o primeiro-ministro Nuri al Maliki, xiita, pediu a demissão de dois políticos sunitas com cargos no governo. A manobra coincidiu com o fim da ocupação militar norte-americana, e três dias depois atentados mataram 72 pessoas em áreas xiitas da capital.

No pior dos ataques desta quinta-feira, um homem-bomba se explodiu em um posto de controle da policia a oeste da cidade de Nassiriya, a 300 quilômetros de Bagdá, causando a morte de pelo menos 30 peregrinos xiitas e ferimentos em cerca de 70 outros, disse o diretor do conselho provincial, Qusay al-Abadi.

Os outros ataques ocorreram em Bagdá. Uma bomba deixada em uma moto estacionada e outra colocada em uma calçada explodiram no bairro pobre de Sadr City, deixando pelo menos dez mortos e 37 feridos. A polícia disse que depois disso encontrou e desativou outras duas bombas.

"Havia um grupo de trabalhadores autônomos reunidos, esperando para serem contratados para um trabalho. Alguém trouxe essa pequena moto e a estacionou nos arredores. Poucos minutos depois, ela explodiu, matou algumas pessoas, feriu outras e incendiou alguns carros", disse um policial no local, sem se identificar.

Um repórter da Reuters viu manchas de sangue em torno do local da explosão, e rachaduras no asfalto. Ferramentas de trabalho e sapatos estavam espalhados ao redor.

A TV Reuters mostrou um pronto-socorro lotado de feridos e parentes das vítimas em Sadr City. Dois irmãos choravam abraçados no chão pela irmã morta.

As outras duas explosões, causadas por carros-bombas, foram no bairro de Kadhimiya, deixando pelo menos 15 mortos e 32 feridos, segundo fontes policiais e hospitalares.

"As pessoas começaram a fugir das explosões, e outras corriam na direção delas (para procurar parentes). A cena parecia uma peça, com pessoas chorando, gritando e caindo", disse à Reuters o policial Ahmed Maati, que estava em Kadhimiya.

O departamento municipal de estatísticas de saúde informou que os atentados de Sadr City deixaram 13 mortos e 32 feridos, e que os de Kadhimiya mataram 16 pessoas e feriram outras 36.

O Iraque esteve à beira de uma guerra civil em 2006/07, e ainda enfrenta uma insurgência da minoria sunita e a atividade de milícias da maioria xiita.

Autoridades locais disseram que os incidentes estão sendo investigados, e que ainda não há suspeitos a apontar.

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