Expulsas, duas autoridades da ONU e da UE deixam o Afeganistão

Uma importante autoridade da Organizaçãodas Nações Unidas (ONU) e outra da União Européia (UE) deixaramo Afeganistão depois de o governo ter ordenado a expulsão dosdois, acusando-os de manter contatos com o Taliban e deentregar dinheiro ao grupo insurgente. A expulsão das autoridades provocou um embate diplomáticoentre o governo afegão e importantes agências de ajuda, para asquais a perda dos dois homens versados nas questões do paíspode prejudicar os esforços de milhões de dólares envolvendo areconstrução e o desenvolvimento do Afeganistão. Aleem Siddique, porta-voz da ONU, afirmou que o funcionárioda entidade partiu na quinta-feira de manhã em um vôo charterregular rumo ao vizinho Paquistão. Diplomatas em Cabulconfirmaram que a autoridade da UE, chefe em exercício damissão do bloco no Afeganistão, estava no mesmo vôo. Apesar de nenhuma das duas organizações ter divulgadooficialmente o nome das autoridades, sabe-se na capital afegãque se trata de Michael Semple e de Mervin Patterson. Os europeus viviam e trabalhavam no Afeganistão havia maisde uma década, tendo permanecido ali mesmo durante o governo doTaliban, derrubado durante a invasão comanda pelos EstadosUnidos em 2001. Semple tem nacionalidade britânica e Patterson,nacionalidade irlandesa. O governo afegão declarou os dois "personae no gratae" apósacusá-los de encontrarem-se com autoridades do Taliban nasemana passada, na instável Província de Helmand (sul), umreduto dos insurgentes e a principal região produtora de drogasdo Afeganistão. Autoridades da UE e da ONU insistem que Semple e Pattersonreuniram-se apenas com chefes regionais e que todo o imbróglionão passa de um "mal-entendido". "Como parte de nossos esforços na Província de Helmand,precisamos conversar com as pessoas da região", disse Siddique. "Enfrentamos uma situação bastante complexa aqui noAfeganistão. As comunidades tribais e as relações tribaisformam uma teia muito complexa." Na quinta-feira, autoridades afegãs confirmaram a expulsãodos dois europeus. "Estamos agindo para proteger nossos interesses nacionais.Os dois lados (a UE e a ONU) concordaram com a necessidade deque agíssemos dessa forma", disse à Reuters uma autoridade doAfeganistão. (Reportagem adicional de Sayed Salahuddin)

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.