Facções palestinas abrem diálogo no Cairo

Um diálogo nacional palestino começou no Cairo na quinta-feira sob os auspícios do Egito, marcando o início de um aguardado diálogo que pode unir os palestinos novamente depois de 18 meses de cisma entre a Cisjordânia e a Faixa de Gaza. As duas áreas palestinas têm líderes políticos diferentes desde que o grupo islâmico Hamas tomou o controle de Gaza em junho de 2007, deixando apenas a Cisjordânia sob controle da Autoridade Palestina, dominada pelos rivais do Fatah. Todas as partes dizem esperar que o diálogo leve a um novo governo de unidade nacional que supervisione a reconstrução de Gaza depois de uma ofensiva israelense de três semanas e, depois, organize eleições presidenciais e parlamentares. O Hamas se reserva o direito de lutar contra Israel, apesar de dizer-se pronto a aceitar uma trégua de 18 meses. O Fatah, por sua vez, renunciou à violência e coloca suas esperanças nas negociações. O chefe da inteligência egípcia, Omar Suleiman, disse na abertura do evento: "(O Egito espera) que este encontro seja o real começo de um novo período que encerre o estado de divisão que já foi muito longe. Chegou a hora de nós virarmos a página de uma vez por todas." O encontro ocorre na sede da inteligência do Egito. A fala de Suleiman foi transmitida pela TV egípcia e assistida pelos delegados, que estavam sentados em uma longa mesa. Suleiman disse: "Todos estão olhando na direção de vocês... e estão depositando suas esperanças em vocês. Então não prolonguem essa discórdia, nem aprofundem a divisão. Unam forças para atender às esperanças de todos por um Estado palestino independente." Na sessão de abertura serão formados cinco comitês sobre aspectos específicos de reunificação, como eleições e serviços de segurança, e Suleiman sugeriu que esses grupos comecem a trabalhar em 8 de março. Os governos de Estados Unidos e Europa querem que os palestinos formem um governo de tecnocratas apartidários. Isso poderia poupá-los de problemas sobre como lidar com o Hamas, que eles classificam de grupo terrorista. Mas o representante de alto escalão da Fatah Azzam al-Ahmed deixou aberta a questão sobre que tipo de governo poderia surgir do encontro. "Há um consenso sobre um governo de união nacional", disse ele em uma coletiva de imprensa na noite de quarta-feira. "A natureza desse gabinete depende do comitê que será formado." O Fatah está pressionando por decisões rápidas, mas uma importante fonte do Hamas disse que o trabalho demoraria mais do que apenas alguns dias. Um diplomata árabe disse na quarta-feira que os mediadores egípcios esperam completar o acordo em tempo para que ele seja endossado por uma cúpula árabe marcada para o Catar, no final de março. O diálogo nacional foi precedido de conversas entre Fatah e Hamas na quarta-feira. Os dois grupos trocaram promessas de libertar os prisioneiros uns dos outros em Gaza e na Cisjordânia.

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