Facções palestinas selam no Iêmen acordo para reconciliação

As facções palestinas rivais Fatah eHamas assinaram no domingo um acordo patrocinado pelo Iêmen, noqual se comprometeram a retomar conversações diretas depois demeses de hostilidades, mas mesmo assim continuam divergindosobre o futuro da Faixa de Gaza e da Cisjordânia. O escritório do presidente palestino, Mahmoud Abbas -- quetambém é o líder do Fatah -- informou que o Hamas terá deaceitar pôr fim a seu controle da Faixa de Gaza antes do iníciode qualquer diálogo. "Nós, os representantes do Fatah e do Hamas, concordamoscom a iniciativa iemenita como uma base para a retomada dodiálogo entre os dois movimentos para que a situação palestinavolte ao que era antes dos incidentes de Gaza", assinalou adeclaração emitida pelas duas delegações depois dasconversações em Sanaa, capital do Iêmen. A Declaração de Sanaa, assinada pelo negociador do Hamas,Moussa Abu Marzouk, e pelo alto funcionário do Fatah, Azzamal-Ahmed, também enfatizou a "unidade da autoridade, territórioe povo palestino." A iniciativa iemenita pede o retorno da situação em Gaza aoque era antes de o Hamas assumir o controle do território, emjunho, depois de expulsar as forças leais a Abbas. Essas ações violentas deixaram o Hamas com o controle deGaza e o Fatah, com a Cisjordânia. Também aprofundaram asdivisões entre a população, na medida em que os dois movimentosdisputam o poder e influência sobre os 4 milhões de palestinosvivendo nesses dois territórios, separados por Israel. "Consideramos a assinatura da Declaração de Sanaa um novocomeço e o princípio de uma nova etapa", disse Abu Marzouk,cujo partido venceu as eleições parlamentares de janeiro de2006. No entanto, horas depois da assinatura, aparentemente teveinício uma divergência entre as duas partes sobre a abrangênciada iniciativa iemenita e sua implementação. O Fatah havia dito que só concordaria com negociaçõesdiretas se o Hamas aceitar renunciar a seu controle de Gaza,onde vivem 1,5 milhão de palestinos. O Hamas rejeitou essa declaração. "Os comentários do Fatahrefletem a falta de interesse da presidência pelo diálogo e dãoa impressão de que sua assinatura não é mais do que um ato degratidão para com os iemenitas", disse o porta-voz do Hamas,Sami Abu Zuhri. (Reportagem adicional de Wafa Amr e Nidal al-Mughrabi)

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