Faixa de Gaza sofre com greve parcial em hospitais

Sindicato exige readmissão de trabalhadores demitidos por razões políticas; Hamas fecha clínicas privadas

Agência Estado e Associated Press,

04 de setembro de 2008 | 12h56

Uma paralisação de funcionários de saúde por toda a Faixa de Gaza tem prejudicado os serviços em hospitais e clínicas. A greve é a última de uma série que mostra as crescentes divisões entre os militantes do Hamas, que controlam o local, e os partidários do moderado presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas.  O Sindicato dos Trabalhadores Médicos, dominado pelo Fatah, convocou a greve na semana passada. O movimento pede que trabalhadores ligados ao Fatah que foram demitidos por razões políticas sejam readmitidos. O Hamas acusou o rival de convocar a greve como uma manobra política. Porém o grupo islâmico piorou a situação dos doentes ao fechar as clínicas privadas que estavam sendo mantidas por médicos em greve. A greve forçou os médicos não paralisados a dobrarem seus plantões e deixou muitos doentes aguardando por tratamento. O sistema de saúde do território já sofre com carências, em uma região isolada internacionalmente desde que o Hamas tomou o poder, expulsando os partidários de Abbas do partido laico Fatah, em junho de 2007. Aproximadamente a metade dos doutores, enfermeiras e funcionários administrativos do setor estão parados desde a semana passada, de acordo com o Organização Mundial de Saúde (OMS). Uma paralisação semelhante ocorreu no ano passado, quando o Hamas demitiu vários médicos com décadas de carreira. Na ocasião ninguém foi recontratado e a greve foi encerrada depois de cinco dias. Na semana passada, um sindicato de professores pró-Fatah entrou em greve, também argumentando que o Hamas estava preenchendo postos-chave com seus aliados. A paralisação atrasou o início do ano letivo. O Hamas respondeu demitindo 2 mil professores e substituindo-os com partidários do grupo islâmico. Um porta-voz do Ministério da Saúde ameaçou os grevistas também com demissão. O independente Centro Palestino pelos Direitos Humanos afirmou que o governo de Abbas, que controla a Cisjordânia, estava por trás da greve. Ainda que a Autoridade Palestina (AP) não controle Gaza, ainda paga salários a milhares de funcionários públicos na área. A AP teria ameaçado os que não aderissem à paralisação com corte de salários. Nimr Hamad, um assessor de Abbas, negou as acusações. Abbas quer retomar controle da Faixa de Gaza e incorporar a região em um futuro Estado palestino. A Cisjordânia e a Faixa de Gaza estão em lados opostos de Israel. A ONU advertiu que a greve prejudicava os moradores mais vulneráveis de Gaza e aprofundava as divisões entre Gaza e a Cisjordânia.

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