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'Falhas' em armas não explicam mortes de civis em Gaza

Fornecedores de armas inteligentes afirmam que possibilidade de erro no combate é mínima

Roberto Godoy , O Estado de S. Paulo

17 de janeiro de 2009 | 07h44

A alegação do ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, de que o bombardeio a prédios civis na área urbana de Gaza foi consequência de falhas nas armas utilizadas não é correta. Os principais fornecedores de bombas inteligentes empregadas na ofensiva, as americanas Raytheon e Boeing Company, disseram ao Estado que os índices de erro nas condições do teatro de operações são inferiores a 0,5%.   Veja também: Antes de discutir trégua unilateral, Israel ataca abrigo da ONU Assembleia Geral da ONU apoia cessar-fogo em Gaza Sem acordo, Hamas ameaça cometer ataques suicidas Invasão já deixou US$ 1,4 bilhão em prejuízos Conflito em Gaza vira guerrilha urbana  Especial traz mapa com principais alvos em Gaza  Linha do tempo multimídia dos ataques em Gaza  Bastidores da cobertura do 'Estado' em Israel  Conheça a história do conflito entre Israel e palestinos  Veja imagens de Gaza após os ataques      Um engenheiro ouvido na sede da Raytheon, em Massachusetts, garantiu que, na média de 40 a 70 lançamentos diários, e na distância máxima de 20 quilômetros, como está sendo feito pela aviação israelense, a possibilidade de erro é pequena.   Na Boeing, o chefe do programa de sistemas de armas inteligentes lembrou que "fixadas as coordenadas do alvo no centro de navegação do míssil ou bomba, as armas serão inevitavelmente guiadas até o ponto desejado". Para o especialista, pode haver engano, sim, "na indicação e na avaliação dos objetivos". Na prática, significa ter designado o prédio da ONU ou as escolas em Gaza por considerá-los abrigos de líderes ou depósito do Hamas. A falha, no caso, é da coleta de informações de inteligência.   As bombas guiadas são, a rigor, armas burras que se tornam inteligentes quando recebem um conjunto de acessórios básicos, formado pela placa do processador primário, aletas móveis e a bateria de curta duração. O kit pode ser comprado separadamente - custa US$ 21 mil - e acoplado a bombas de 227 a 907 quilos. Caças F-15 e F-16 de Israel levam várias combinações desse tipo em cabides sob as asas. Os dados de navegação, tomando como referência o mapa obtido por satélite militar, agentes infiltrados e sensoriamento remoto de comunicações, resultam em coordenadas precisas. Inseridas no pequeno centro de guiagem, assumem o comando imediatamente após a separação da aeronave.   A bomba não tem propulsão: faz voo planado e deve ser lançada a grande altitude. O alcance pode chegar a 110 quilômetros.Os modelos mais modernos, que saem da linha de produção equipados com os recursos eletrônicos, custam US$ 120 mil.   Brasil e Israel mantém um acordo bilateral na indústria bélica que é apontado como "modelo da descentralização" da indústria israelense de defesa, segundo Ali Barakeh, um dos lideres do Hamas exilados na Síria. O acordo abrange diversas parcerias, principalmente com a Embraer.   O contrato mais recente deu à Elbit Systems a encomenda dos sistemas eletrônicos dos 53 caças-bombardeiros AMX da Força Aérea Brasileira, em processo de revitalização. Na etapa inicial, na qual será desenvolvido um protótipo, a empresa israelense receberá US$ 67 milhões. O preço da encomenda completa, que será concluída até 2014, chega a US$ 187 milhões. O contrato integral é de US$ 400 milhões. A Elbit está envolvida na modernização de 57 caças F-5 da FAB, negócio que envolve US$ 353 milhões.

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