Famílias de presos iranianos fazem raro protesto em frente ao Parlamento

Familiares de prisioneiros iranianos acusados de delitos políticos fizeram uma rara manifestação diante do Parlamento em Teerã neste domingo para denunciar um suposto tratamento violento ao qual seus parentes eram submetidos na prisão de Evin, informou a agência de notícias dos estudantes (Isna).

Reuters

20 de abril de 2014 | 13h44

Familiares segurando fotos dos presos disseram que mais de 20 dos seus parentes foram feridos em confrontos com guardas em 17 de abril, de acordo com Kaleme, um site ligado aos líderes de oposição Mirhossein Mousavi e Mehdi Karoubi.

Não é comum as famílias se reunirem do lado de fora do Parlamento para reclamar sobre supostos abusos aos seus familiares, embora tais protestos já tenham acontecido em frente à prisão de Evin no passado.

Os distúrbios na chamada Ala 350 da cadeia - onde detidos que enfrentam acusações políticas são normalmente mantidos -, começaram depois que os presos se recusaram a sair de suas celas durante uma verificação de segurança de rotina, disse o Kaleme.

Eles estão entre as centenas de pessoas detidas durante as manifestações de reformistas contra a contestada reeleição do presidente Mahmoud Ahmadinejad em 2009, na pior agitação desde a revolução islâmica de 1979.

O parlamentar moderado Ali Mottahari, forte oponente de Ahmadinejad, que foi sucedido na Presidência por Hassan Rouhani nas eleições passadas, esteve na manifestação deste domingo e disse que apresentará a questão ao Parlamento.

"Essas famílias pediram a nossa ajuda e nós faremos o nosso melhor para ajudá-las e vamos apresentar esse problema ao Parlamento", disse Mottahari, segundo a agência Isna.

Mottahari, referindo-se aos protestos de 2009, afirmou: "Não havia necessidade de prender as pessoas por seis a oito anos por causa de uma manifestação. Se tivéssemos resolvido esse problema mais cedo, não estaríamos aqui hoje."

De acordo com a Isna, as famílias disseram que foram impedidas de visitar seus parentes presos nesta semana.

O ministro da Justiça, Mostafa Pourmohammadi minimizou os distúrbios de 17 de abril dizendo que "nada de especial" tinha acontecido. Ele afirmou que os guardas realizaram inspeções de rotina naquele dia devido a problemas de segurança na Ala 350, de acordo com a agência de notícias oficial do governo Irna.

A organização de direitos humanos Anistia Internacional informou que 32 detentos foram colocados em confinamento solitário como resultado da revolta.

(Reportagem de Michelle Moghtader)

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