Fatah aprova 'direito a resistir a ocupação' de Israel

Partido palestino laico afirma em seu programa político que usará 'todos os meios possíveis'

Efe,

09 de agosto de 2009 | 08h49

O Congresso do Fatah aprovou neste domingo, 9, uma cláusula em seu programa político que reconhece o "direito dos palestinos a resistir a ocupação israelense por todos os meios possíveis". "Apesar de nos comprometermos a conseguir uma paz justa e continuarmos buscando-a, não renunciamos a nenhuma outra de nossas escolhas. Achamos que a resistência, com todos os meios possíveis, é um direito legal das nações ocupadas para enfrentar seus ocupantes", assinala o texto.

 

Um destacado dirigente explicou que a cláusula recebeu o "sim" da arrasadora maioria de delegados na conferência, iniciada na terça-feira passada na cidade cisjordaniana de Belém e que renovou por aclamação a frente do partido ao presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas. O texto apresenta a Fatah como um Movimento de Libertação Nacional que procura acabar com a ocupação israelense e conseguir um Estado palestino independente. Além disso, ressalta que o movimento criado há quatro décadas por Yasser Arafat mantém seu "principal conflito" com "a ocupação israelense".

 

"Outros conflitos menores são ainda considerados secundários e podem ser resolvidos mediante o diálogo", acrescenta em referência ao confronto com a outra facção palestina mais importante, o Hamas. No entanto, a cláusula continua com uma defesa do direito ao uso de "todos os meios possíveis para defender a união nacional, a legitimidade palestina e a decisão independente palestina".

 

A conferência de Belém, cujo encerramento - inicialmente previsto para quinta-feira passada - foi prorrogado por diferenças entre os delegados, deve votar ainda a renovação dos principais órgãos diretores do Fatah: o Comitê Central, que tem 21 membros, e o Conselho Revolucionário, de 120. Dois pesos pesados, o ex-primeiro-ministro e atual chefe da equipe negociadora palestina, Ahmed Qorei, e o antigo "homem forte" em Gaza Mohammed Dahlan, disputam o controle dos órgãos de decisão.

 

Fontes próximas ao congresso precisaram que não se esperam grandes surpresas na consulta, na qual aparecem como favoritas as candidaturas que apoiam a atual liderança. Vários analistas apontam, no entanto, para que a "nova guarda" do Fatah será feita com a metade dos assentos no Comitê Central. Pela primeira vez, haverá um candidato judeu, Uri Davis, ao Conselho Revolucionário, informou ontem a agência palestina Maan.

 

Israel

 

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, advertiu neste domingo que seu governo não "repetirá o erro" que, segundo sua opinião, foi retirar todos os colonos judeus de Gaza em 2005 nem "criará novos desalojados". "A retirada de Gaza não trouxe paz nem segurança, e Gaza se transformou em um posto avançado do Hamas dirigido pelo Irã", disse no início do conselho semanal de ministros dedicado ao quarto aniversário dessa medida unilateral aprovada por Ariel Sharon, então seu oponente pela liderança do partido direitista Likud.

 

Netanyahu explicou que seu Executivo estuda prorrogar as ajudas para os retirados de Gush Katif, o principal bloco de assentamentos judaicos em Gaza, e de outras colônias no norte da Cisjordânia. O primeiro-ministro pediu aos ministros que proponham o mais rápido possível novas medidas para melhorar a qualidade de vida dos desalojados, cujos atuais lugares de residência visitará na segunda-feira. "Isto significa reabilitação econômica, reabilitação em todo o sentido da palavra, agora e não mais tarde", disse.

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