Fatah diz que não negocia a paz se Israel invadir Gaza

ANP ameaça boicotar conferência da paz; incursões aéreas israelenses matam 11 palestinos na últimas 24 horas

Agências internacionais,

27 de setembro de 2007 | 13h42

A Autoridade Nacional Palestina (ANP) não participará de conferência de paz convocada para novembro pelos Estados Unidos se Israel lançar uma operação militar de grande escala na Faixa de Gaza. A confirmação do dirigente do Fatah, Qadura Fares, é uma reação a ameaça do ministro da Defesa israelense, Ehud Barak, que cogitou a ação em território palestino. Nas últimas 24 horas, 11 palestinos morreram em ataques aéreos israelenses em Gaza.       Veja também:  Ataque isralense eleva para 11 o número de mortos em Gaza O Exército israelense alega ter promovido os ataques para reprimir milicianos que disparam foguetes na direção de seu território. Nesta quinta, centenas de milicianos armados ligados ao grupo radical Exército do Islã, ligado a um poderoso clã de Gaza, participaram do cortejo em homenagem a cinco militantes da organização mortos nas ações israelenses. O grupo fez a sua primeira aparição pública em massa. "O resultado de uma invasão não permitirá aos palestinos ir à conferência" e "jogará por terra todos os esforços para preparar o caminho" a este evento, disse à imprensa o membro do Comitê Central do movimento liderado pelo presidente da ANP, Mahmoud Abbas. Segundo Barak, Israel "aproxima-se" de realizar uma grande operação militar na Faixa de Gaza a fim de responder aos ataques com foguete realizados por palestinos. O gabinete israelense de segurança descartou momentaneamente esta opção na semana passada, quando decidiu declarar a Faixa de Gaza como "território inimigo". Com a medida, Israel aprovou também o corte de fornecimento de energia elétrica e combustível na Faixa de Gaza. Embora as sanções ainda não tenham sido colocadas em prática, o Exército israelense continua sua política de "assassinatos seletivos" e pequenas incursões em Gaza, região controlada pelo Hamas desde junho. Sobre os assassinatos, Fares atribuiu à intenção do governo israelense de "restaurar sua dignidade diante de sua população dizendo que pode protegê-la dos foguetes da resistência palestina".   Fim das negociações com Israel As mortes de quarta-feira e da madrugada desta quinta levaram diferentes facções a pedir ao presidente da ANP, Mahmoud Abbas, que suspenda seus encontros com o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert. "É ilógico que o presidente da ANP ou qualquer outro líder dê as mãos ao nosso inimigo, que as tem manchadas de sangue palestino", afirmou o dirigente em Gaza da Frente Popular para a Libertação da Palestina (FPLP), Rabah Mahana. Para o dirigente, as reuniões entre Olmert e Abbas "são interpretadas como uma aceitação dos crimes da ocupação israelense contra o povo palestino" Boicote Nesta quinta, Mohammed al-Madhun, assessor do deposto primeiro-ministro da ANP e líder do Hamas, Ismail Haniyeh, disse que a última ofensiva israelense "cobre de desonra todos aqueles que acreditam na paz com os criminosos e os assassinos". O próprio Haniyeh aproveitou a condenação dos ataques israelenses em Gaza para pedir aos países árabes que boicotem a conferência internacional de paz convocada pelos EUA para novembro. Segundo Haniyeh, a reunião - que ainda não tem data para ocorrer, local de realização ou lista de participantes - "fracassará", pois "só procura pressionar países árabes, como a Arábia Saudita, para normalizarem suas relações com Israel sem discutir os direitos dos palestinos".

Tudo o que sabemos sobre:
Israelconferência da pazGazaANP

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.