Mohammad Ismail/Reuters
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Fechamento da fronteira paquistanesa eleva preços no Afeganistão

Desde que Paquistão fechou rota de suprimentos para Otan, valor da comida subiu

REUTERS

23 de janeiro de 2012 | 08h22

CABUL - Com a neve acumulando em frente à sua pequena loja em Cabul e o fechamento da fronteira reforçado pelo Paquistão, que eleva o preço dos alimentos e prejudica uma rota vital para o Afeganistão, o afegão Asmatullah terá seu próprio inverno de desgosto.

Desde que o Paquistão fechou a rota de suprimentos para as forças da Otan no Afeganistão, após a coalizão matar 24 soldados paquistaneses em um ataque através da fronteira, em novembro, os afegãos comuns e estrangeiros estão sentindo o impacto dos preços flutuantes dos alimentos.

"Eu perdi 50 por cento dos meus clientes", disse Asmatullah, que de alguma forma consegue sorrir ao avaliar a sua loja vazia, rodeada por caixas de ovos e leite, pacotes de cigarros, bebidas e engradados de água, agora congelados na calçada gelada do lado de fora.

"Todo mundo tem menos renda do que eu, então as pessoas simplesmente não têm condições de comprar. Quando a fronteira está fechada, os preços sobem", afirmou, encapuzado com um chapéu preto e uma jaqueta de couro, tentando afastar um dos invernos mais gelados em anos.

O fechamento da fronteira, que o Paquistão prometeu suspender em data ainda indefinida, ressalta a dependência do Afeganistão em importar alimentos pela montanhosa fronteira oriental, ao invés da fronteira com o Irã no oeste e nas mais distantes, e mais custosas, rotas do norte, através da ex- soviética Ásia Central.

A maioria dos alimentos importados vem da Índia, Dubai e Paquistão e é levada para o país a partir de Karachi, entrando no Afeganistão através da turbulenta província de Kandahar, ao sul, em Spin Boldak, na província oriental de Nangarhar, em Torkham.

Desde o fechamento da fronteira paquistanesa, o custo para carregar os caminhões ou importar via aérea para as forças norte-americanos no país subiu de 17 milhões por mês para 104 milhões, mostraram estatísticas do Pentágono na mídia dos Estados Unidos.

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