Filho de ex-premiê pede reconciliação entre partidos no Líbano

Milhares se reúnem em Beirute para marcar terceiro aniversário da morte do primeiro-ministro Rafik Hariri

Agências internacionais,

14 de fevereiro de 2008 | 15h02

Multidões de libaneses participaram de manifestações pró-Ocidente que marcaram o o aniversário de três anos do assassinato do ex-primeiro-ministro Rafik Hariri. O filho do ex-premiê pediu nesta quinta-feira, 14, pela reconciliação com representantes pró-Síria.  Foto: Reuters  Hezbollah diz que está preparado para guerra com Israel Israel teme resposta do Hezbollah após morte de líder  No centro de Beirute, milhares de pessoas ocupavam a Praça do Mártir para lembrar o terceiro aniversário do assassinato de Hariri, morto num atentado com caminhão-bomba na capital libanesa. Seus partidários culparam a Síria pelo atentado, e uma pressão internacional forçou Damasco a retirar suas tropas do Líbano depois de 29 anos. No evento para marcar o terceiro aniversário da morte de Hariri, o filho do ex-primeiro-ministro e atual líder da maioria anti-Síria no Parlamento, Saad Hariri, declarou que "a Síria não conseguirá tomar o Líbano". Hariri e seus simpatizantes atribuem a Damasco o atentado que matou seu pai. Saad Hariri evitou críticas ao Hezbollah e optou por um tom mais conciliador: "Nossa mão continuará estendida independentemente das dificuldades e das conspirações que existirem". Uma estátua de Rafik Hariri foi exposta no local do ataque que o matou em 14 de fevereiro de 2005. Uma mensagem gravada por sua viúva, Nazek, pedia às pessoas que "não sucumbam ao ódio e se unam para salvar o país". O protesto ocorreu em um dia tumultuado no Líbano. Sob uma fria chuva, dezenas de milhares do seguidores do Hezbollah participaram manifestação ao mesmo tempo em que, a menos de dez quilômetros dali, simpatizantes do Hezbollah participaram da procissão fúnebre durante o funeral de Imad Moughniyah, um comandante do grupo morto em um atentado na capital da Síria, Damasco. O líder supremo do Hezbollah, xeque Hassan Nasrallah, afirmou que o grupo só aceitará um acordo quando acreditar que a proposta é sincera. As declarações do xeque foram feitas durante a procissão em homenagem a Moughniyah durante a qual dezenas de milhares de pessoas percorreram as ruas do sul de Beirute, tradicional reduto do Hezbollah. Em meio a temores de violência entre os campos rivais, milhares de soldados foram posicionados e bloqueios foram erguidos para impedir que participantes dos dois eventos se cruzassem. Desde a morte do ex-premiê Rafik Hariri, em fevereiro de 2005, o Líbano enfrentou uma série de atentados a bomba que já matou vários políticos e jornalistas opositores à influência síria no Líbano. Para garantir a segurança nas manifestações, o Exército e forças de segurança libanesas começaram a posicionar centenas de tropas no início da noite de quarta-feira.  O país está sem presidente desde o dia 23 de novembro do ano passado, quando o pró-sírio Emile Lahoud deixou o cargo depois de nove anos no poder. Desde então, a sessão do parlamento para nomear o futuro presidente já foi adiada 14 vezes, com a próxima marcada para o dia 26 de fevereiro. A oposição pró-Síria, liderada pelo Hezbollah, e o movimento governista 14 de Março, apoiado pelo Ocidente, não conseguem chegar a um acordo para escolher o novo presidente. Pela Constituição libanesa, a presidência do país deve ser ocupada por um cristão maronita. Ambos os lados concordam no nome do comandante do Exército, general Michel Suleiman, para a presidência, mas divergem na distribuição de poder num futuro governo, poder de veto para a oposição e reformas no sistema eleitoral visando as eleições parlamentares para 2009. O impasse na escolha do presidente do Líbano já é considerada a pior crise política do país desde o fim da longa guerra civil (1975-1990).

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.