Filho de Gaddafi faz oferta de eleições na Líbia

O líder líbio Muammar Gaddafi está disposto a promover eleições e renunciar se for derrotado, disse um filho dele nesta quinta-feira. A oferta tem poucas chances de aplacar seus adversários, mas pode testar a união da aliança ocidental que procura forçá-lo a deixar o poder.

NICK CAREY, REUTERS

16 de junho de 2011 | 13h02

A proposta, feita após uma série de concessões oferecidas pelo líder líbio e que potências ocidentais tacharam de meros artifícios, foi formulada num momento em que cresce a frustração em alguns membros da Otan com o progresso da campanha militar.

Quatro meses depois do início do conflito na Líbia, os avanços dos rebeldes em direção a Trípoli são lentos, na melhor das hipóteses, enquanto semanas de ataques aéreos da Otan que bombardearam o complexo residencial de Gaddafi e outros alvos ainda não conseguiram pôr fim a seus 41 anos de governo no país petrolífero.

"As eleições poderiam acontecer em três meses. No máximo até o final do ano, e a garantia de transparência seria a presença de observadores internacionais", disse Saif al-Islam, um dos filhos de Gaddafi, ao jornal italiano Corriere della Sera.

Ele disse que seu pai, que chegou ao poder no mesmo ano em que o homem pisou na Lua, se disporia a renunciar se perdesse a eleição, mas não se exilaria.

"Não tenho dúvidas de que a maioria avassaladora dos líbios está do lado do meu pai e vê os rebeldes como fundamentalistas islâmicos fanáticos, terroristas instigados desde fora do país", disse Saif al-Islam, segundo o jornal.

A oferta foi feita no momento em que Mikhail Margelov, o enviado que lidera os esforços da Rússia para pôr fim ao conflito, chegava a Trípoli para discussões com o governo de Gaddafi. O Kremlin já declarou que está disposto a ajudar a negociar a saída do líder líbio.

Autoridades líbias levaram o enviado russo e jornalistas estrangeiros a um café no centro de Trípoli que disseram ter sido destruído por um ataque da Otan durante a noite.

"Não há justificativa para este ataque", disse a repórteres o vice-ministro do Exterior, Khaled Kaim, perto do café. O prédio tinha se tornado uma ruína de escombros e metais retorcidos, e a poeira do concreto pulverizado recobria a rua.

Indagado sobre a campanha de bombardeios da Otan, Kaim disse: "Não está funcionando e não vai funcionar". Margelov não deu declarações.

O café fica perto do prédio do Parlamento líbio e outros edifícios governamentais, em uma área que já foi bombardeada várias vezes. Um morador de Trípoli que não quis se identificar disse que o café era frequentado por funcionários do governo.

Intensificando a pressão sobre a Otan, Rússia e China divulgaram um comunicado conjunto sublinhando suas preocupações com os ataques aéreos. A declaração foi assinada em Moscou pelos presidentes dos dois países, Dmitri Medvedev e Hu Jintao.

"Para evitar uma escalada maior da violência, é preciso garantir a adesão cuidadosa" às resoluções da ONU sobre a Líbia "de todas as partes envolvidas", diz o documento.

A Otan iniciou os bombardeios aéreos sobre Trípoli depois de as forças de Gaddafi terem recorrido à força para sufocar uma rebelião contra seu governo, em fevereiro. O líder líbio já descreveu os rebeldes como "ratos" e diz que a campanha da Otan é um ato de agressão colonial que visa o roubo do petróleo líbio.

As forças rebeldes agora estão combatendo as tropas de Gaddafi em três frentes: no leste do país, em torno da cidade petrolífera de Brega; nos arredores de Misrata, a terceira maior cidade da Líbia, sob controle dos rebeldes, e nos Montes Ocidentais, a sudoeste de Trípoli.

(Reportagem adicional de James Mackenzie em Roma, Steve Gutterman e Alexei Anishchuk em Moscou, Tarek Amara em Túnis e Hamid Ould Ahmed em Argel)

Tudo o que sabemos sobre:
LIBIAFILHOGADDAFIELEICOES*

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.