Filho de Gaddafi foi traído por seu guia no deserto

O filho do ex-líder líbio Muammar Gaddafi que ainda estava foragido na Líbia, Saif al-Islam Gaddafi, foi traído e levado a seus captores por um nômade líbio que diz ter sido contratado para ajudá-lo a escapar para o Níger com a promessa de receber 1 milhão de euros.

OLIVER HOLMES, REUTERS

22 de novembro de 2011 | 12h32

Procurado pelo Tribunal Penal Internacional, Saif al-Islam foi capturado no fim de semana, no que um oficial do novo governo do país descreveu como "o capítulo final do drama da Líbia".

Com um lenço preto enrolado na cabeça, Yussef Saleh al-Hotmani disse que entrou em contato com combatentes revolucionários no sul da Líbia para informá-los quando o grupo de Saif, composto por dois carros, estaria passando pela região na noite de 18 de novembro.

"Eu fiz Saif acreditar que eu confiava nele", disse ele na terça-feira em Zintan, onde Saif al-Islam está detido em um local secreto antes que os detalhes da sua acusação sejam finalizados.

Na noite da captura de Saif al-Islam, Hotmani disse que ele estava viajando com o guarda pessoal mais jovem de Gaddafi no primeiro carro do comboio.

"Eu tinha combinado com os combatentes (que capturaram Saif al-Islam) que o melhor lugar para a emboscada seria uma parte do deserto que era rodeada por terrenos altos", explicou ele.

Dez combatentes de Zintan, situada nas montanhas ocidentais, e cinco da própria tribo de Hotmani, a al-Hotman, estavam à espera.

"Quando nós chegamos no local escuro, o tiroteio foi muito preciso, levou apenas cerca de meio minuto para capturar o primeiro carro", disse ele, acrescentando que tinha intencionalmente dito ao comboio de Saif al-Islam para deixar um espaço de 3 quilômetros entre os veículos Com isso, ele daria aos combatentes tempo para se reagruparem e para Hotmani se juntar a eles.

"Quando o segundo carro chegou, começamos a atirar com muita precisão, para danificar o veículo para que ele não pudesse escapar."

Saif al-Islam, vestido com uma túnica longa e um lenço de cabeça marrom em volta do rosto, pulou para fora do carro, tentou fugir, mas foi capturado, contou Hotmani. "Nós o tratamos como um prisioneiro de guerra", disse.

MOTIM OU CONSPIRAÇÃO?

O nômade do Saara, que se autodenomina o "filho do deserto", recusou-se a dar detalhes sobre quando ou como ele contatou os 15 combatentes do governo interino que pegou Saif al-Islam.

"Tenho certeza que (Saif al-Islam e seus guardas) estavam planejando me executar quando chegássemos à fronteira. Eles tinham duas pistolas, duas granadas, uma faca e algemas. Eles estavam prontos para me executar se tivessem alguma dúvida", explicou Hotmani.

Os soldados aliados ao Conselho Nacional de Transição (CNT) que pegaram Saif al-Islam se referiram a Hotmani como um "herói".

Foram encontrados menos de 5 mil dólares nos dois carros e Hotmani disse que não havia recebido um centavo do 1 milhão de euros prometido a ele.

Não está claro por que Saif al-Islam confiou no dono de uma pequena agência de turismo e o contratou como guia no deserto. Saif perdeu o pai e três irmãos na guerra que acabou com o governo de sua família na Líbia.

"Saif estava sonhando em deixar a Líbia e depois eventualmente retornar", disse Hotmani.

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