Filho de Kadafi quer negociar tréguas com manifestantes até o sábado

Saif Kadafi alerta que rebeldes que se renderem 'ficarão ilesos' e admite a necessidade de reformas

Reuters

25 de fevereiro de 2011 | 20h12

TRÍPOLI - Saif al Islam Kadafi, um dos filhos do ditador líbio Muamar Kadafi, tentou nesta sexta-feira, 25, minimizar a extensão da rebelião que domina grande parte da Líbia, e disse que espera negociar até sábado tréguas em duas cidades conturbadas. Falando em inglês a jornalistas levados a Trípoli sob escolta oficial, afirmou que os rebeldes que se renderem ficarão ilesos, e admitiu que a Líbia precisa de reformas.

 

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Seu relato sobre a situação, no entanto, parece ser desmentido pelo controle exercido nos últimos dias no leste do país por grupos que desejam o fim do regime de Gaddafi, no poder desde 1969. Há relatos também de que a rebelião já chegou à capital e arredores.

Mas o filho de Kadafi disse que só há violência em duas cidades do oeste da Líbia, e qualificou como "mentiras" os relatos da imprensa de que militares teriam bombardeado civis ou que o governo teria contratado mercenários. "Estamos rindo desses relatos", afirmou. "Exceto por Misurata e Zawiya, tudo está calmo... As negociações continuam, e estamos otimistas. Em Misurata e em Zawiya temos um problema", disse.

"Estamos lidando com terroristas. Mas tomara que eles estejam ficando sem munição. Tomara que não haja mais derramamento de sangue. Até amanhã iremos resolver isso. O Exército decidiu não atacar os terroristas, e dar uma chance para as negociações. Tomara que façamos isso pacificamente."

A rebelião na Líbia começou na semana passada, no leste, inspirando-se nas recentes revoltas que derrubaram as ditaduras do Egito e da Tunísia. Depois de controlar Benghazi, segunda maior cidade do país, a oposição também parece ter assumido o poder em Misurata, a terceira maior cidade líbia, e em Zawiya, no oeste. Moradores dizem que as forças contrárias a Gaddafi conseguiram conter os contra-ataques feitos pelo Exército.

Diplomatas internacionais afirmam que pelo menos 2 mil pessoas foram mortas por causa da repressão. O Conselho de Segurança da ONU começou a debater uma resolução segundo a qual os ataques a civis podem configurar crimes contra a humanidade. Vários governos ocidentais, inclusive dos EUA, já decidiram impor sanções a Trípoli.

Na noite de sexta-feira, quando jornalistas da Reuters e de outros veículos eram levados do aeroporto para o centro da cidade, as ruas pareciam excepcionalmente vazias. Antes, moradores relataram confrontos em alguns bairros. A mídia árabe disse que houve vários mortos.

'Esmagar o inimigo'

 

Numa característica de exibição de desafio, Kadafi, de 68 anos, apareceu na sexta-feira diante de milhares de seguidores na Praça Verde, no centro da capital, para prometer que iria "esmagar qualquer inimigo."

Seu filho disse que os líderes da oposição estão em uma posição enfraquecida. "As principais pessoas nesses grupos estão desesperadas. Estamos dizendo a eles: deponham as armas e não iremos lhes fazer mal. Acreditamos que precisamos reformar nosso país. Precisamos introduzir muitas reformas. Somos fortes, estamos unidos, todos lutando pelo nosso país. Estamos todos unidos contra forças obscuras."

 

Segundo Saif al Islam, "há uma grande conspiração contra o nosso país". "Há países por trás dessa campanha", acrescentou. "É isso que está acontecendo no leste. Querem introduzir um modelo afegão na Líbia (...). Isso não é segredo. A Al-Qaeda divulgou nota apoiando esses grupos."

Advogados, médicos, militares e líderes tribais montaram comitês para gerir Benghazi e outras cidades "liberadas" no leste do país, e há poucos sinais de participação de militantes islâmicos nesses grupos.

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