Filme que critica Corão gera protestos no mundo islâmico

Indonésia, Paquistão e Irã pedem que Holanda retire filme da rede e processe autor por 'difamação e ofensa'

Agências internacionais,

28 de março de 2008 | 16h18

O curta-metragem do deputado holandês Geert Wilders que condena o Corão, Fitna, gerou nesta sexta-feira, 28, várias críticas internacionais e anúncios de processos judiciais após sua exibição. Os principais países islâmicos, como Indonésia, Paquistão e Irã, pediram ao governo holandês que retire o filme de exibição e processe o deputado por "difamação e ofensa deliberada" aos sentimentos dos muçulmanos.  Veja também:Filme contra o Corão chega à Internet; Holanda teme protestosAssista ao curta-metragem   Depois da legenda "a Holanda no futuro?", o filme mostra homossexuais sendo executados, crianças com rostos ensagüentados, mulheres apedrejadas e mutilação genital. Fitna acaba com uma caricatura do profeta Maomé com uma bomba sob o turbante - a mesma publicada num jornal dinamarquês em 2006, que provocou protestos em todo o mundo islâmico.  Em entrevista coletiva nesta sexta-feira, o primeiro-ministro holandês, Jan Peter Balkenende, se mostrou "orgulhoso" da forma "digna" com a qual os muçulmanos na Holanda reagiram à exibição do filme, mas não descartou que a situação possa sofrer modificação. Balkenende elogiou a atitude de seu governo que, antecipadamente, intensificou seus contatos diplomáticos com países islâmicos e se distanciou das opiniões de Wilders sobre o islã. Pouco depois de o deputado holandês disponibilizar Fitna - que significa caos ou confronto, em árabe - na internet, o chefe de governo rejeitou a visão do parlamentar de "equiparar o islã a atos violentos". "Acho que foi muito bom que tenhamos nos preparado para a divulgação do filme e as reações moderadas se devem também a que estivemos meses trabalhando nisso", ressaltou nesta sexta-feira a ministra de Interior, Guusje ter Horst, que destacou que a situação na Holanda é de "absoluta calma". A exibição do curta-metragem preocupava as autoridades holandesas, que temiam que aparecessem imagens como a de o Corão sendo queimado ou rasgado, o que significaria uma ofensa para os muçulmanos. Respostas A principal resposta da comunidade muçulmana holandesa - formada em 21% por turcos e em 19% por marroquinos - foi anunciar que entraria com ações judiciais contra Wilders. Em resposta a um processo apresentado pela Federação Islamita Holandesa (NIF) antes da exibição do filme, um juizado de Haia se pronunciará em 7 de abril sobre as idéias de Wilders em relação aos muçulmanos. As reações mais negativas ao Fitna vieram do Irã, onde foi pedido que o filme saia do ar, assim como da Indonésia, que qualificou o documentário de "racista", e da Jordânia, onde alguns veículos de comunicação iniciarão uma campanha de boicote aos produtos holandeses. Nesta sexta-feira, a Federação de Muçulmanos Turcos na Holanda antecipou que entrará com um processo de urgência para pedir uma multa de 5 mil euros a Wilders que será aplicada cada vez que se ele se referir ao Corão como um livro fascista.  O presidente da Cúpula Nacional de Marroquinos holandeses, Mohammed Rabbae, disse que estuda denunciar o deputado por dizer que o islã quer destruir a civilização ocidental. Segundo Rabbae, esta "mensagem não só semeia medo, mas também ódio", e acrescentou que "Wilders manipulou o Corão em seu filme." O Conselho da Europa também condenou o curta, alegando que é uma "manipulação que explora a ignorância, o preconceito e o medo, fazendo o jogo dos extremistas." 

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