Fim de Guantánamo ajudará guerra ao terror, diz governo afegão

O presidente afegão, Hamid Karzai, elogiou na sexta-feira o governo de Barack Obama por decidir fechar a prisão militar de Guantánamo. Na opinião de Karzai, a medida atrairá apoio internacional para a luta contra o terrorismo. Muitos afegãos detidos pelas forças dos EUA e seus aliados desde a ocupação que derrubou o regime Taliban, em 2001, permanecem presos na base naval norte-americana de Guantánamo, encravada em Cuba. Os métodos agressivos de interrogatórios contra os presos e a falta de acusações formais contra muitos deles geram incontáveis críticas de grupos de direitos humanos e afetam a credibilidade dos EUA no mundo. Na quinta-feira, seu segundo dia completo como presidente dos EUA, Obama assinou uma ordem destinada a fechar a prisão dentro de um ano e a resolver o status dos presos - que devem ser soltos, transferidos para outros países ou julgados em tribunais norte-americanos. "Esta boa decisão do governo dos Estados Unidos irá ajudar a encontrar apoio na comunidade internacional para a luta contra o terrorismo, e a incluir todas as nações nesta luta", disse Karzai em nota. "Fechar isso terá um bom impacto, um impacto significativo sobre a mentalidade dos afegãos aqui no Afeganistão", disse Humayun Hamidzada, porta-voz de Karzai. "Vemos isso como extremamente importante e oportuno, e apreciamos a decisão tomada pelo novo governo." Obama determinou também uma revisão completa da estratégia dos EUA no Afeganistão, e em breve deve aprovar planos para duplicar o contingente militar no país. Mais de sete anos depois do início desta guerra, a violência atingiu seus piores níveis, pois a milícia Taliban conseguiu se reagrupar e ganhar força no sul e leste do país, além de recuperar influência em áreas próximas à capital, Cabul. Ativistas afegãos fazem campanha também para que os EUA desativem a prisão da base de Bagram, ao norte de Cabul, onde supostamente há cerca de 600 prisioneiros. O porta-voz de Karzai disse que isso deve ocorrer gradualmente. "Conforme reconstruímos o nosso Judiciário, conforme reconstruirmos nossa capacidade de imposição das leis e conseguirmos garantir que seja oferecido o devido processo, esperamos que os detentos sejam lenta e gradualmente transferidos de comum acordo para a custódia afegã".

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