Fim de moratória faria diálogo com Israel fracassar, diz Abbas

Palestinos esperam que paralisação da construção de novos assentamentos continue

estadão.com.br

23 de agosto de 2010 | 09h49

JERUSALÉM - O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, disse por meio de uma carta enviada aos líderes do Quarteto para o Oriente Médio que se Israel retomar a construção de assentamentos ao final da moratória declarada pelo governo judeu - marcado para 26 de setembro -, as negociações diretas de paz recentemente restabelecidas fracassariam. As informações foram publicadas nesta segunda-feira, 23, pelo jornal israelense Ha'aretz.

 

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"É impossível conduzir as negociações junto com a construção de assentamentos", disse o líder palestino na carta enviada aos presidentes dos EUA, Barack Obama, e da Rússia, Dmitri Medvedev, e à chefe da diplomacia da União Europeia, Catherine Ashton.

 

O futuro da paralisação na construção de assentamentos declarada por Israel no início do ano é o primeiro obstáculo para o diálogo entre israelenses e palestinos. O primeiro-ministro do Estado judeu Benjamin Netanyahu, disse no domingo que o governo seguiria a risca a data estabelecida para a retomada da expansão das colônias.

 

Dan Meridor, ministro de Inteligência, porém, apoia a iniciativa de retomar as construções apenas nas áreas que seriam anexadas por Israel em um eventual acordo com a ANP. Ele é apoiado pelo ministro da Defesa, Ehud Barak, mas outros membros do governo, como o chanceler ultraconservador Avigdor Lieberman, rejeitam a medida.

 

O governo dos EUA, que mediou as negociações indiretas e avançou para o diálogo direto, ainda não se pronunciou sobre a proposta de Meridor, mas membros do governo israelense disseram que os americanos concordam que cabe aos palestinos aceitar tais condições.

 

O principal negociador palestino para o assunto, Saeb Erekat, disse que embora os EUA não tenham dado garantias que a paralisação das construções vai continuar, a ANP acredita que Israel manterá a medida vigente. Segundo o palestino, os americanos disseram que se a ANP não impusesse condições, seria mais fácil que o Estado judeu prolongasse a moratória.

 

Netanyahu disse no domingo que conseguir a paz é "difícil", mas "possível". "Sei que há muitas dúvidas após 17 anos (de tentativas fracassadas de paz), desde o início do Processo de Oslo, e entendo por que existem. Esperamos tranquilizar os céticos, mas para isso precisamos de um autêntico parceiro no lado palestino para nos comunicar", disse o premiê neste domingo, 22, ao iniciar a reunião semanal do conselho de ministros.

 

Na sexta-feira passada, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, anunciou que israelenses e palestinos retomarão o diálogo direto de paz com mediação da Casa Branca no próximo 2 de setembro, em Washington.

 

Além de Netanyahu, estarão presentes no encontro o presidente palestino, Mahmoud Abbas, o presidente egípcio, Hosni Mubarak, e o rei Abdullah da Jordânia, com quem o presidente Barack Obama se reunirá separadamente na véspera. Os palestinos entram no processo direto de diálogo após semanas de intensas pressões e três meses de conversas indiretas.

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