Foco de Assad em Aleppo favorece rebeldes no leste da Síria

Enquanto o presidente Bashar al-Assad tem concentrado suas forças em tomar de volta o controle de Aleppo, o centro financeiro da Síria, os rebeldes lentamente ganharam terreno no reduto tribal oriental, onde o grande prêmio é a riqueza petrolífera do país.

KHALED YACOUB OWEIS, Reuters

14 de agosto de 2012 | 14h55

A partir de postos fortificados no deserto produtor de petróleo perto do Iraque, as forças do governo vêm bombardeando Deir al-Zor, uma pobre cidade muçulmana sunita nas margens do Eufrates, que abriga uma região vasta e árida que faz fronteira com o Iraque.

Mas as principais tropas fiéis a Assad, principalmente da minoria alauíta, estão concentradas principalmente no que está se preparando para ser uma longa batalha por Aleppo, bem como em melhorar o controle instável da capital Damasco.

No processo, Assad enfrenta o risco de perder o controle da província Deir al-Zor e, com isso, a produção de petróleo de 200.000 barris por dia da Síria, afirmaram especialistas militares e diplomatas.

Moradores disseram que nos últimos três meses rebeldes tinham estendido o controle sobre setores amplos de Deir al-Zor à medida que forças ligadas a Assad sobrecarregadas retiravam-se para complexos de segurança no centro da capital da província e arredores.

Rebeldes dizem que controlam pelo menos metade da cidade Deir al-Zor, e a produção de petróleo foi quase cortada pela metade desde que o levante começou há 17 meses, uma vez que as sanções do Ocidente privaram Damasco de seus principais clientes na Europa.

Um diplomata ocidental que monitora o Exército sírio disse que as forças rebeldes em Deir al-Zor estavam fragmentadas, mas que as forças de Assad não tinham número e linhas de abastecimento para derrotá-los.

"Há muitas forças de segurança em Deir al-Zor e estas são mais vulneráveis a ataques armados por rebeldes. Com as forças principais do Exército em Damasco, tem de se perguntar quando é que as tropas regulares em áreas como Deir al-Zor vão abortar", afirmou o diplomata.

O coordenador da Frente Rebelde Síria, Muhaimen al-Rumaid, disse que reforços militares para Aleppo estavam sendo enviados a partir de Hasaka e Raqqa, províncias adjacentes a Deir al-Zor, expondo o Exército a ataques.

Todos os dias a cidade de Deir al-Zor fica sob o fogo dos foguetes de helicópteros, bem como de artilharia e tanques implantados em suas margens e no deserto ao redor, matando e ferindo dezenas de civis, segundo os moradores.

Tudo o que sabemos sobre:
SIRIAALEPPOFOCO*

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.