Fogo de morteiro rebelde atinge Damasco; Exército revida

Rebeldes sírios atiraram morteiros no centro de Damasco nesta segunda-feira, matando pelo menos duas pessoas e provocando uma resposta brutal do Exército, enquanto bombardeios sacudiam o centro da capital.

OLIVER HOLMES, Reuters

25 de março de 2013 | 15h50

A agência de notícias estatal disse que morteiros disparados por "terroristas" mataram duas pessoas e feriram outras perto da Casa da Ópera na Praça Ummayad, onde também estão localizados o quartel-general do Partido Baath, a Inteligência da Força Aérea e a televisão estatal.

O Exército retaliou com fogo de artilharia do Monte Qasioun sobre a cidade. "Escutei dezenas de bombas do regime até agora, esmagando os rebeldes", disse um morador.

Fotografias postadas por ativistas da oposição mostraram fumaça negra subindo da praça durante o que os moradores disseram ser um dos bombardeios mais pesados no centro de Damasco desde que surgiu uma revolta contra o presidente Bashar al-Assad, há dois anos.

"A cidade está sob ataque", disse um morador desnorteado, acrescentando que as explosões tinham começado às 6h30 (horário local).

O conflito na Síria matou 70.000 pessoas e obrigou um milhão a fugir do país, diz a Organização das Nações Unidas. Luta constante em Damasco pode fazer com que outras milhares de pessoas sigam para Estados vizinhos, principalmente o Líbano, que já abriga 370.000 sírios.

Não havia relatos imediatos de que os rebeldes, que entraram no distrito de Kfar Souseh, algumas centenas de metros da Praça Ummayad, estivessem tentando avançar.

As forças de Assad conservam o controle do centro de Damasco e da maior parte das cidades sírias, enquanto largas faixas do território estão com os insurgentes, principalmente no norte e leste.

O coronel Riad al-Asaad, fundador do Exército Livre da Síria (FSA), perdeu uma perna durante uma explosão noturna causada por uma bomba colocada debaixo de seu carro na cidade de al-Mayadin, disse seu vice. Uma autoridade turca disse que Asaad estava sendo tratado na Turquia e que sua vida não corria perigo.

Asaad, que formou o FSA em 2011 como um levante popular contra Assad antes de se transformr em uma rebelião armada, foi um dos primeiros oficiais a desertar do Exército sírio, mas foi afastado no ano passado de um novo comando FSA apoiado pelo Ocidente.

O vice de Asaad, Malik al-Kurdi, disse à televisão Al Jazeera acreditar que o governo sírio tentou assassinar o fundador do FSA com uma bomba plantada diretamente sob o seu banco do carro. Ele disse que Asaad também sofreu ferimentos no rosto.

Nenhum grupo assumiu a autoria do ataque.

Imagens de vídeo postadas na Internet por ativistas mostravam Asaad deitado em uma cama com ataduras na cabeça e gemendo. Ele estava coberto por um lençol azul e um homem no filme disse que ele iria sobreviver. A Reuters não conseguiu verificar o vídeo de forma independente.

Várias unidades rebeldes lutam sob a bandeira do FSA, que vem se esforçando para encontrar armas e construir um comando disciplinado e uma estrutura de controle. Não inclui alguns dos militantes islamistas, como a poderosa Nusra Front, ligada a Al Qaeda.

Moaz Alkhatib, que no domingo renunciou da chefia da Coalizão Nacional Síria, da oposição, disse que o ataque contra Asaad fazia parte de uma tentativa de "assassinar os líderes livres da Síria".

Apesar de renunciar, Alkhatib disse que iria participar de uma cúpula da Liga Árabe no Catar nesta semana. "Decidi fazer um discurso em nome do povo sírio na conferência de Doha", ele escreveu em sua conta no Twitter na segunda-feira.

Alkhatib, indicado líder da coalizão formada em novembro, é um clérigo muçulmano sunita que vinha sendo visto como um reduto moderado contra a influência das forças jihadistas da Al Qaeda.

Ele renunciou depois de que a coalizão o repreendeu por oferecer a Assad um acordo negociado e depois de o grupo seguir em frente, apesar de suas objeções, com medidas de formar um governo provisório que teria diminuído sua autoridade.

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