Foguetes do governo líbio atingem Misrata

Uma chuva de foguetes do governo atingiu Misrata nesta sexta-feira depois que aliados ocidentais denunciaram um "cerco medieval" da cidade e prometeram continuar a bombardear as forças de Muammar Gaddafi até que ele renuncie.

MUSSAB AL-KHAIRALLA, REUTERS

15 de abril de 2011 | 10h35

Um médico local disse à Al Jazeera que pelo menos oito pessoas morreram e sete outras foram feridas no segundo dia do intenso bombardeio de Misrata, bastião rebelde isolado no oeste da Líbia.

Os moradores disseram à rede de TV que pelo menos 120 foguetes atingiram a cidade, onde há relatos de que centenas de civis foram mortos durante o sítio de seis semanas.

A agonia de Misrata aumenta a pressão para que os aliados ocidentais intensifiquem os ataques aéreos para deter o bombardeio, mas a Otan está dividida sobre o uso de mais aviões para a tarefa.

"É impensável que alguém que tentou massacrar seu próprio povo possa fazer parte em seu futuro governo," disseram os líderes de Grã-Bretanha, França e Estados Unidos em um comunicado conjunto publicado em jornais nesta sexta-feira.

Sua clara intenção de causar uma mudança no regime líbio extrapola os termos da resolução das Nações Unidas que autorizou os ataques aéreos para proteger civis.

Aisha, filha de Gaddafi, disse em um comício em Trípoli que marcou o bombardeio norte-americano do complexo de Gaddafi 25 anos atrás que exigir a saída de seu pai é um insulto.

"Dizer que Gaddafi deve renunciar é um insulto a todos os líbios, porque Gaddafi não está na Líbia, mas sim no coração de todos os líbios."

Em um artigo de linguagem forte publicado dos dois lados do Atlântico, o primeiro-ministro britânico David Cameron, o presidente francês Nicolas Sarkozy e seu colega norte-americano Barack Obama disseram que deixar Gaddafi no poder seria uma "traição insensata."

"Enquanto Gaddafi permanecer no poder, a Otan e seus parceiros de coalizão devem manter suas operações para que os civis continuem protegidos e a pressão sobre o regime cresça," declararam.

O comunicado pareceu ter a intenção de apaziguar as divisões na aliança atlântica e fortalecer a determinação de manter a campanha aérea apesar das diferenças crescentes.

Os Estados Unidos assumira um papel secundário nas incursões aéreas depois de entregar o comando à Otan em 31 de março, e a França deu a entender que o aliado precisa voltar à campanha.

Isso colocaria em campo aeronaves norte-americanas de ataque preciso em solo, que analistas dizem poder pesar a balança contra Gaddafi, e ao mesmo tempo ofereceria maiores salvaguardas contra ataques a civis.

A França e a Grã-Bretanha, líderes da Otan na Líbia, lideraram a campanha aérea, mas se tornam impacientes com a falta de comprometimento e de provisão de aeronaves de ataque em solo de outros membros.

Os líderes disseram em seu artigo que Gaddafi não pode desempenhar nenhum papel em uma transição genuína para a democracia. "Para que essa transição seja bem sucedida, o coronel Gaddafi deve sair, e sair de vez."

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