Foguetes e fechamento de fronteira ameaçam trégua em Gaza

Militantes palestinospresentes na Faixa de Gaza dispararam foguetes de fabricaçãocaseira contra o sul de Israel, na quinta-feira, colocandoainda mais pressão sobre uma trégua firmada uma semana atrás. O governo israelense, de outro lado, continuava a manterfechados os postos de fronteira do território. Os dois lados trocaram acusações sobre a violação de umcessar-fogo mediado pelo Egito na esperança de permitir oavanço de negociações de paz patrocinadas pelos EUA e que poucoprogrediram nos últimos meses. Não foram registradas vítimas dos ataques com foguete,atribuídos às Brigadas de Mártires de Al Aqsa, um grupomilitante ligado à facção Fatah. A Fatah é aliada do presidentepalestino, Mahmoud Abbas. O ataque mais recente ocorreu depois de a Jihad Islâmicater lançado foguetes na terça-feira como resposta a umaoperação militar de Israel que matou um dos comandantes dogrupo na Cisjordânia ocupada. O governo israelense disse que a operação militar visavaimpedir a realização de ataques contra seus cidadãos. O lançamento dos foguetes fez com que os postos dafronteira da Faixa de Gaza continuassem fechados pelo segundodia consecutivo. Pelos termos do cessar-fogo, a entrada deprodutos no território deveria intensificar-se gradualmente. A trégua, em vigor desde quinta-feira passada, não valepara a Cisjordânia, mas vários grupos militantes ameaçaramlançar ações de retaliação caso Israel realizasse operaçõesmilitares ali. Um porta-voz do primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert,não quis se manifestar sobre o mais recente ataque comfoguetes. "O ataque com foguetes serviu de resposta às violaçõescometidas por Israel. Qualquer acordo de calma (como a trégua échamada na região) precisa garantir o fim dos ataquesisraelenses contra o nosso povo na Cisjordânia também", disseAbu Qusai, porta-voz das Brigadas de Mártires de Al Aqsa. Peter Lerner, oficial de ligação das Forças Armadas deIsrael, afirmou à Reuters que os postos de fronteiracontinuariam fechados na quinta-feira e que não havia previsãopara a reabertura deles. "Isso dependerá de analisarmos a situação depois do ataquecom foguetes de terça-feira", disse Lerner. Sami Abu Zuhri, porta-voz do Hamas, acusou Israel de violaro cessar-fogo. "Se o fechamento dos postos de fronteiracontinuar, o acordo de calma perderá todo o sentido", disse. "Garantir que as facções palestinas continuem comprometidascom o acordo depende de a Ocupação (Israel) levantar o cerco eabrir todos os postos de fronteira nos primeiros dez dias",acrescentou Abu Zuhri. Israel intensificou as restrições impostas sobre a Faixa deGaza depois de, um ano atrás, o Hamas ter assumido o controlesobre o território, expulsando dali a facção Fatah. Por contadas restrições, a Faixa de Gaza vive em um estado constante dedesabastecimento. (Reportagem adicional de Yehuda Peretz em Sderot)

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