Fora da capital síria, os subúrbios lembram zona de guerra

Quando os observadores da Liga Árabe foram para os subúrbios de Damasco nesta quinta-feira, a segurança síria se recusou a acompanhá-los para a maior parte das áreas porque não tinham mais o controle ali.

MARIAM KAROUNY, REUTERS

26 de janeiro de 2012 | 17h16

Em algumas cidades, a não mais do que 15 minutos de carro da capital, o governador da Damasco rural advertiu que homens armados patrulhavam as ruas.

Mas os monitores foram, acompanhados de jornalistas, até os arredores de Irbin e de Harasta, que se tornaram focos de protestos e da revolta armada desde o início dos 10 meses de levante contra o presidente Bashar al-Assad.

Em um posto de controle em uma intersecção que leva para a cidade de Irbin, dezenas de soldados armados com fuzis estavam em alerta total. No acostamento ao lado deles havia corpos de dois homens mortos a tiros, um deles, um soldado.

Mas os soldados olhavam nervosos para um protesto contra Assad a apenas algumas centenas de metros de distância, com os manifestantes gritando "Allahu Akbar". A maioria das lojas estava fechada e as pessoas olhavam os monitores da Liga Árabe com suspeita.

"Algumas pessoas estão com raiva de nós por causa do relatório", disse um observador.

A equipe de observação enviou um relatório na semana passada sobre sua missão de checar a implementação de um plano de paz árabe, cujo objetivo é parar o banho de sangue da repressão militar de Assad ao levante que, segundo a Organização das Nações Unidas, já matou mais de 5.000 pessoas.

A Síria afirma que a revolta é patrocinada por militantes estrangeiros que já mataram mais de 2.000 membros das suas forças de segurança.

Embora a Liga Árabe tenha feito um apelo para que Assad renuncie, muitos na oposição síria estavam com raiva do relatório dos monitores, que destacava a violência de adversários de Assad da mesma forma que a do governo.

Eles disseram que os monitores negligenciaram o equilíbrio de poder na luta entre manifestantes e rebeldes contra o Exército.

A Reuters, que se juntou aos monitores na sua primeira viagem de observação desde o relatório, está na Síria em uma viagem patrocinada pelo Estado e geralmente acompanhada de um supervisor do governo.

Os observadores árabes assistiram à demonstração contra Assad de longe, e poucos minutos depois foram de carro para um hospital da polícia em Harasta, outro foco da revolta.

O chefe da equipe, Jaafar al-Kubaida, disse que os monitores não entraram em Irbin porque temiam que a "multidão nervosa" pudesse atacá-los.

"As equipes são agredidas algumas vezes, temíamos que eles pudessem atacar os carros ou atirar pedras em nós. Já aconteceu antes".

CARROS COM "BOMBAS ISRAELENSES"

No hospital policial em Harasta, os funcionários disseram que a maior parte da Damasco rural não era controlada pelas forças do governo e que homens armados estavam sequestrando e matando quem fosse leal ao governo.

"Qualquer carro com chapa do governo não pode andar dentro de Harasta, nós como médicos não podemos ir, eles sequestraram um de nossos carros há uma semana", disse um médico no hospital.

Quando observadores árabes pressionaram um oficial para permitir a entrada deles na cidade, ele disse que era perigoso demais.

Os monitores ficaram frustrados com a recusa, mas também disseram que não tinham certeza se a sua presença era bem aceita ali depois do primeiro relatório. "Adoraríamos ir, mas não tenho certeza de que nós somos bem-vindos", disse um observador à Reuters.

Autoridades da área de segurança mostraram aos monitores três carros que disseram terem rebocado de dentro de Harasta e Douma. Elas disseram que os veículos foram confiscados de "terroristas" e estavam carregados de bombas israelenses.

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