Forças afegãs teriam matado funcionários da ONU por engano

Segundo investigação da ONU, 3 empregados morreram por fogo amigo durante ataque taleban

26 de abril de 2010 | 19h26

Reuters

 

GENEBRA- Investigadores da ONU acreditam que a polícia afegã matou a tiros por erro ao menos três funcionários da organização durante um ataque taleban em outubro de 2009, afirmou na segunda-feira, 26, uma funcionária da entidade.

 

Susana Malcorra, uma alta funcionária de paz, fez a declaração em uma reunião informativa sobre um comitê de investigação da ONU sobre um atentado taleban de 28 de outubro contra uma residência em Cabul, que terminou com a morte de cinco funcionários do organismo mundial.

 

A funcionária descreveu circunstâncias confusas nas quais os militantes taleban e as forças de segurança afegãs estavam vestidos em idênticos uniformes policiais. Foi uma "situação muito, muito caótica no meio da noite", disse Malcorra.

 

Os investigadores acreditam que três empregados da ONU morreram baleados pela polícia afegã enquanto tentavam escapar da residência. "A sensação é de que se tratou de um fogo amigo", explicou a funcionária.

 

Malcorra disse que o funcionário de segurança da ONU Louis Maxwell, um americano, também teria morrido pelas mãos da polícia afegã, que aparentemente o confundiu com um insurgente. No entanto, ela agregou que ainda não estava claro como Maxwell morreu.

 

O quinto membro da ONU que morreu no ataque faleceu em um tiroteio que começou depois que os talebans lançaram granadas dentro da residência, de acordo com a funcionária.

 

A ONU pediu às autoridades afegãs que continuem a investigação, acrescentou Malcorra. A investigação da ONU está sendo conduzida pelo australiano Andrew Hughes, ex-chefe de polícia do organismo internacional.

 

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, afirmou em um comunicado que o relatório da investigação, que não será público, destacará problemas nas medidas de segurança da ONU e na coordenação entre o organismo, as autoridades afegãs e os sócios da Otan.

 

Funcionários da ONU disseram sob anonimato que a atitude de Ban reflete a falta de treinamento e disciplina das forças de segurança afegãs.

 

O governo afegão afirmou primeiramente que os talebans mataram cinco membros da ONU. Pouco depois do ataque, Ban criticou a polícia por demorar muito para chegar ao local onde Maxwell lutava para dispersar os militantes.

 

Ban disse em seu comunicado que pediu ao chefe de segurança da ONU, Gregory Starr, para revisar, reportar e liderar uma equipe para viajar a Cabul na semana que vem "para discutir os próximos passos e fazer uma reunião com as autoridades afegãs".

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