Forças da Síria matam mais 6 manifestantes mas promete diálogo

Forças governamentais mataram seis pessoas em manifestações em várias partes da Síria, disseram ativistas, apesar de o governo ter prometido um "diálogo nacional" nos próximos dias.

KHALED YACOUB OWEIS, REUTERS

13 de maio de 2011 | 19h43

O regime sírio enfrenta críticas internacionais cada vez mais intensas e até mesmo algumas sanções por causa da repressão aos protestos por democracia iniciados há dois meses. Grupos de direitos humanos dizem que cerca de 700 pessoas já foram mortas desde então.

As mortes ocorreram na cidade de Deraa (sul), berço da rebelião contra o presidente Bashar al-Assad, em Qaboun, subúrbio de Damasco, e na cidade de Homs (região central), segundo o influente ativista de direitos humanos Razan Zaitouna.

Outro ativista afirmou que a polícia fez disparos contra uma manifestação noturna na localidade de Mayadeen, 40 quilômetros a leste da cidade de Deir al-Zor, ferindo quatro pessoas.

Ele disse que a repressão se intensificou nos últimos dias numa área tribal próxima da fronteira com o Iraque, região responsável pela maior parte da produção petrolífera da Síria, de 380 mil barris por dia.

Mas a violência e o número de vítimas fatais após as orações da sexta-feira foram inferiores à das semanas anteriores. Houve menos confrontos, e os protestos foram menores nas áreas para onde Assad enviou tropas e tanques para controlar os distúrbios.

Um ativista disse ter sido informado por um assessor de Assad, Bouthaina Shaaban, de que o presidente ordenou que policiais e soldados não disparassem contra os manifestantes.

De acordo com uma testemunha, as forças de segurança evitaram o confronto com os participantes de uma grande manifestação na sexta-feira em Rastan, perto de Homs.

"Há sinais de que Assad pode estar alterando suas táticas, possivelmente em reação à pressão internacional", disse um diplomata ocidental de alto escalão à Reuters. "Houve menos tiroteios, mas o fato de as pessoas terem saído para protestar hoje (sexta-feira) com a forte mobilização de segurança é notável."

Horas antes das mortes registradas na sexta-feira, o ministro da Informação, Adnan Hasan Mahmoud, disse pela TV que Assad promoveria um "diálogo nacional em todas as províncias ... nos próximos dias."

Mahmoud afirmou que as unidades militares começaram a desocupar a localidade litorânea de Banias, e que já haviam concluído a retirada de Deraa, embora moradores de lá tenham relatado a presença de tanques em frente às mesquitas durante a manhã.

Ativistas proeminentes disseram que o diálogo só poderá ser levado a sério se o governo libertar milhares de presos políticos e permitir a liberdade de expressão e reunião.

A combinação de repressão e promessas de reforma por parte de Assad no começo da crise, o que incluiu a suspensão do estado de emergência que vigorou durante 48 anos, não foi capaz de coibir os protestos.

Milhares de ativistas fizeram manifestações em cidades e aldeias de toda a Síria após as preces da sexta-feira, as mais importantes da semana, segundo ativistas e testemunhas.

(Reportagem adicional de Mariam Karouny, em Beirute; de Suleiman al-Khalidi, em Amã; e de Keith Weir, em Londres)

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