Forças de Gaddafi matam 16 e cercam hospital, dizem rebeldes

Os ataques aéreos ocidentais atingiram nesta quarta-feira posições das forças do governo líbio na cidade de Misrata, controlada pelos rebeldes, mas franco-atiradores pró-governo que disparavam do alto de edifícios mataram 16 pessoas, segundo um porta-voz dos rebeldes.

HAMID OULD AHMED, REUTERS

23 de março de 2011 | 19h46

Os ataques aéreos silenciaram temporariamente os bombardeios da artilharia das forças leais ao líder líbio, Muammar Gaddafi, mas um médico informou posteriormente que os partidários do governo estavam se aproximando e disparavam contra um hospital local que tem dificuldades para atender a centenas de feridos.

"Tanques do governo estão cercando o hospital de Misrata e bombardeando a área", declarou o médico, que foi contatado brevemente por telefone. Logo depois, a linha caiu. "A situação é muito grave", disse.

O porta-voz do conselho nacional rebelde, Hafiz Ghoga, disse em uma coletiva de imprensa em Benghazi, no leste do país, que 16 pessoas tinham sido mortas em Misrata, a terceira maior cidade da Líbia, situada no oeste do país. Ele acrescentou que outras seis morreram num bombardeio das forças de Gaddafi nos arredores de Zintan, cidade que também fica no oeste.

Abdul Basset, um outro porta-voz dos rebeldes, afirmou que o bombardeio contra o hospital de Misrata prossegue. "Tememos um massacre. Há cerca de mil pessoas no hospital e a maioria delas está em condições críticas. Não podem correr nem se mexer. Há muitos amputados entre eles", afirmou.

"Há também dez enfermeiras filipinas que deixaram de fazer contato na sexta-feira."

Ele acrescentou que o gerador que supria o hospital foi destruído, o que deixou as instalações sem eletricidade. "Pedimos ao mundo que nos ajude. Que Deus nos ajude, que Deus nos ajude", afirmou o porta-voz.

Os rebeldes em Misrata vêm lutando há semanas para conter as investidas das forças leais a Gaddafi. Eles receberam bem os ataques aéreos, dizendo que os ajudariam na batalha contra o contingente fortemente armado do governo.

Ao contrário dos principais redutos rebeldes no leste da Líbia, Misrata está cercada pelas forças pró-Gaddafi. Moradores dizem que dezenas de pessoas foram mortas nos últimos dias.

"Agora, com os ataques aéreos, estamos mais otimistas", declarou Saadoun, um morador de Misrata que falou à Reuters por telefone. "Esses ataques nos dão esperança, especialmente pelo fato de serem precisos e terem como algo as forces de Gaddafi e não apenas as bases."

Ele disse que houve dois ataques e, considerando as colunas de fumaça, os alvos foram lugares no sudoeste da cidade, onde estão posicionadas as forças de Gaddafi.

Outro morador afirmou que foram atingidos um colégio e uma base militares usados pelas forças de Gaddafi. Essas informações não podem ser checadas porque as autoridades líbias impediram os jornalistas de seguir para Misrata, situada a cerca de 200 quilômetros de Trípoli, a capital.

As autoridades líbias não fizeram comentários sobre os desdobramentos do conflito na cidade.

(Reportagem adicional de Mariam Karouny em Beirute)

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