Ben Curtis/AP
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Forças de segurança abrem fogo e matam 15 em funeral na Líbia

Segundo fontes, operação de repressão em resposta aos protestos em Benghazi já matou 84 pessoas

REUTERS

19 de fevereiro de 2011 | 20h38

TRIPOLI - Forças de segurança abriram fogo durante um funeral no sábado na cidade de Benghazi, segunda maior da Líbia, informou a rede Al-Jazeera, deixando ao menos 15 pessoas mortas.

 

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Um médico da cidade, centro dos protestos contra o líder Muammar Gaddafi que está há quatro décadas no poder, disse à rede de tevê árabe que 15 corpos chegaram ao hospital onde trabalha, além de feridos.

"Este não é um hospital bem equipado e esses feridos vêm em ondas. Todas as lesões são sérias, na região da cabeça, peito e abdome. São ferimentos de bala de rifles de alta velocidade", afirmou o médico.

A organização Human Rights Watch disse que 84 pessoas foram mortas nos últimos três dias, resultado de uma intensa operação de repressão em resposta aos protestos conta o governo que procuram seguir os passos de revoltas nos vizinhos Egito e Tunísia.

Um morador da cidade disse que as forças de segurança estavam confinadas em um Centro de Comando, de onde atiradores disparavam contra manifestantes na cidade de Benghazi, que fica a mil quilômetros a leste da capital, onde o apoio a Gaddafi é tradicionalmente menor do que no restante do país.

"Eles mataram três manifestantes daquele prédio hoje", declarou a testemunha, que não quis se identificar, à Reuters.

"No momento, a única presença militar em Benghazi está confinada ao Comando Central da cidade. O restante da cidade está liberado", disse.

"Não há escassez de comida, embora nem todas as lojas estejam abertas. Os bancos estão fechados. Todos os escritórios do comitê revolucionário (governo local) e delegacias de polícia da cidade foram queimados", afirmou.

O relato não pode ser confirmado de forma independente. Uma fonte do aparato de segurança ofereceu uma versão diferente, dizendo que a situação na região de Benghazi está "80 por cento sob controle".

Em Londres, o ministro britânico das Relações Exteriores, William Hague, disse que tinha relatos de que armas de fogo pesadas e unidades de atiradores de elite estão sendo usados contra os manifestantes. "Isto é claramente inaceitável e horripilante", disse em um comunicado.

O jornal privado Quryna, sediado em Benghazi e que já foi ligado a um dos filhos de Gaddafi, afirmou que 24 pessoas foram mortas na cidade na sexta-feira, e que forças de segurança abriram fogo para deter manifestantes que atacavam o quartel-general da polícia e uma base militar onde armas estavam guardadas. "Os guardas foram forçados a usar balas de verdade", informou o diário.

O governo não divulgou nenhuma cifra de vítimas nem fez comentários oficiais sobre a violência.

Um grupo de 50 acadêmicos religiosos líbios apelaram pelo fim da violência. Uma cópia do libelo foi fornecida à Reuters.

Longe da região sul, a Líbia parecia calma.

Na Praça Verde, no centro de Trípoli, próximo da antiga cidade murada, centenas de pessoas se reuniram portando fotos de Gaddafi e entoando "Nosso líder revolucionário!" e "Seguimos o seu caminho", relatou um repórter da Reuters.

Um jornal estatal disse que a violência é parte dos "plano sujos e das conspirações concebidas pela América e pelo sionismo e pelos traidores do Ocidente".

Observadores da Líbia dizem que uma revolta no estilo do Egito é improvável, porque Gaddafi tem dinheiro do petróleo para aliviar os problemas sociais, e ainda é respeitado em grande parte do país.

 

Cúpula. A Liga Árabe disse neste sábado ser importante que aconteça em março a cúpula do organismo em Bagdá, devido ao que descreveu como "graves e fatais acontecimentos" no mundo árabe.

 

A Líbia, que detém a presidência rotativa da cúpula dos líderes árabes, afirmou nesta semana que a reunião em Bagdá seria adiada por causa da situação na região, onde os protestos estão desafiando líderes do Bahrein à Argélia.

 

Os presidentes do Egito e da Tunísia foram derrubados por protestos em massa neste ano.

 

Um comunicado emitido da sede da Liga Árabe, no Cairo, informou que um pedido formal de adiamento do encontro ainda não havia sido recebido pelo secretariado-geral do organismo. A cúpula está marcada para 29 de março.

 

"O secretariado-geral destaca a importância da realização da próxima cúpula árabe no cronograma", disse o comunicado da liga.

 

As circunstâncias atuais exigem "um maior grau de coordenação e de discussão para tratar os graves e fatais acontecimentos que estão ocorrendo na região árabe", disse o documento.

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