Forças de segurança do Iraque entram em alerta para ritual religioso xiita

Mais de um milhão de muçulmanos xiitas se reuniram em santuários e mesquitas pelo Iraque nesta terça-feira para o ritual religioso de Ashoura, e as forças de segurança do Iraque foram colocadas em estado de alerta devido a ataques que resultaram em vítimas durante peregrinações passadas. 

HAIDER KADHIM, REUTERS

04 de novembro de 2014 | 09h42

A presença de militantes radicais do Estado Islâmico no Iraque, que tomaram o norte do país neste ano, aumenta a possibilidade de mais violência em uma época de aglomeração de multidões. 

O Estado Islâmico, considerado mais implacável do que seu antecessor no Iraque, a Al Qaeda, acredita que os xiitas são infiéis que merecem ser mortos, e o grupo já reivindicou responsabilidade por diversos atentados suicidas contra membros da seita majoritária iraquiana. 

A segurança para o evento tem sido reforçada desde que homens-bomba da Al Qaeda e disparos de morteiros mataram 171 pessoas durante a Ashoura, um evento que define a seita xiita e sua cisão com o Islâ sunita, em Kerbala e Bagdá em 2004.  

Os xiitas estão homenageando a morte de Hussein, neto do profeta Maomé, na batalha de Kerbala em 680 d.C.

Na cidade sagrada de Kerbala, centenas de milhares de peregrinos se reuniram fora do Santuário do Imã Hussein cantando: “Hussein, Hussein, Hussein”.

Durante o ritual, os xiitas batem em suas cabeças e peitos e ferem suas cabeças com espadas para mostrar seu luto e ecoar o sofrimento do imã Hussein. 

No passado, suicidas se passaram por peregrinos infiltrados em grandes multidões, e militantes dispararam salvas de morteiro em aglomerações nos arredores de Kerbala. 

Sob o governo secular de Saddam Hussein, tais manifestações religiosas eram proibidas no Iraque, que era governando principalmente por sunitas e pelo partida Baath. 

Desde que o ditador foi derrubado em 2003, xiitas dominam os governos no Iraque, mas abertamente praticar a fé em grandes multidões coloca a seita majoritária em risco de sofrer atentados de grupos radicais sunitas. 

Ataques do Estado Islâmico contra xiitas ajudaram a colocar a violência no país de volta aos alarmantes níveis vistos em 2006 e 2007, quando a guerra sectária estava em seu auge. 

Durante o ritual em Kerbala, xiitas falavam em tom desafiador, apesar dos novos perigos representados pelo Estado Islâmico. 

“O Estado Islâmico não pode nos impedir de vir aqui com sua violência”, disse o peregrino Ali Ajaj, de 65 anos.

Sua esposa, Um Mohammed, relembra como os agentes de Saddam Hussein mataram dois de seus filhos, uma tragédia que a deixou mais determinada a praticar sua fé. 

“Carros-bombas e explosões do Estado Islâmico não me impedirão de vir.”

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