Forças do conselho sírio avançam em cidade-natal de Gaddafi

Forças do governo interino da Líbia, apoiadas pela aviões da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) obtiveram seu principal avanço na cidade-natal de Muammar Gaddafi, Sirte, chegando a meio quilômetro do centro do reduto do líder deposto.

ALEXANDER DZIADOSZ, REUTERS

25 Setembro 2011 | 10h19

Tiros puderam ser ouvidos no centro da cidade e fumaça negra subiu depois que as forças do CNT (Conselho Nacional de Transição) chegaram à Praça Zafran no sábado e continuaram avançando com tanques e morteiros. Picapes com metralhadoras e lotadas de combatentes entraram na cidade.

Médicos disseram que dois soldados do CNT foram mortos e que mais de 20 ficaram feridos nos combates contra as forças pró-Gaddafi.

"Eles têm atiradores sobre as mesquitas, sobre os prédios. Eles estão usando as casas e edifícios públicos", afirmou à Reuters o combatente do CNT El-Tohamy Abuzein, que estava na Praça Zafran.

O ataque do CNT dividiu Sirte em três zonas. "Eles tomaram a área número um, estão combatendo na área número dois e vão ficar lá até a manhã", disse o comandante do CNT, Fathi Bafhaaga.

Tomar Sirte seria um grande avanço para o CNT enquanto o conselho tenta mostrar credibilidade como governo, e seria devastador para Gaddafi. Acredita-se que o ex-líder esteja em fuga fora da Líbia.

A Otan, cujos aviões foram vitais na guerra que derrubou Gaddafi após seis meses, afirmou que suas aeronaves atingiram vários alvos em Sirte nas últimas 24 horas, incluindo um depósito de munição e um armamento antiaéreo.

A Otan disse em comunicado que os bombardeios foram realizados para proteger civis das forças de Gaddafi dentro da cidade.

"Entre os relatos que chegam de Sirte estão execuções, sequestros, e o ataque premeditado a indivíduos, famílias e comunidades dentro da cidade", afirmou a Otan.

No passado, as forças do CNT se retiraram de Sirte e Bani Walid, outro reduto de Gaddafi, após ataques mal-organizados terem recebido grande resistência dos homens leais ao ex-líder.

Um porta-voz de Gaddafi acusou a Otan de matar centenas de civis em ataques em Sirte. As comunicações foram cortadas desde a queda da capital Trípoli, no mês passado.

O líder do CTN Mustafa Abdel Jalil afirmou neste sábado que as forças do governo interino encontraram possíveis armas internacionalmente proibidas perto das cidades de Sabha e Wadan, mas não deu detalhes.

"Vamos buscar a ajuda de especialistas locais e da comunidade internacional para nos livrarmos dessas armas de maneira apropriada", afirmou.

O CNT enfrenta um grande desafio de tentar impor sua autoridade na Líbia. O conselho informou na semana passada que só se mudaria para Trípoli quando suas forças estivessem com controle total do território líbio, contradizendo uma promessa anterior de retirar a administração de Benghazi em meados de setembro.

As forças do governo interino operam com unidades desiguais e com bases em suas cidades-natais, com pouco comando geral. Autoridades do CNT disseram que Gaddafi usou mercenários da África sub-saariana para ajudar durante a guerra.

Na quinta-feira, o CNT informou que tinha assumido o controle total de Sabha, que era a tradicional base da tribo de Gaddafi. Localizada cerca de 800 quilômetros ao sul de Trípoli, ela tinha sido ocupada por combatentes leais a ele.

A caçada a Gaddafi, que está se escondendo há semanas e ocasionalmente emitindo mensagens de rádio por uma TV síria, está perto do fim, dizem autoridades do CNT.

(Reportagem de Goran Tomasevic ao sul de Sirte, Sherine El Madany a leste de Sirte, William Maclean e Joseph Logan em Trípoli, Emad Omar em Benghazi e John O'Donnell in Bruxelas)

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