Forças dos EUA entram em combates a milicianos no Iraque

Forças norte-americanas entraram noscombates entre forças iraquianas e militantes xiitas, que jáduram quatro dias, na sexta-feira, lançando ataques aéreos emBasra pela primeira vez e enfrentando militantes em Bagdá. Os combates expuseram novas divisões entre a maioria xiitado país e colocaram pressão no primeiro-ministro iraquiano,Nuri al-Maliki, cujas forças não conseguiram expulsar osmilitantes leais ao clérigo xiita Moqtada al-Sadr da segundamaior cidade do país. Autoridades iraquianas decretaram um rígido toque derecolher em Bagdá na sexta-feira, o que pareceu ter reduzido osataques com foguetes e morteiros que tumultuaram a capitalnesta semana. Parlamantares, incluindo os leiais a Sadr,concordaram em se reunir para tentar colocar fim ao impasse. O governo afirma que combate "foras-da-lei", mas osseguidores de Sadr afirmam que partidos políticos que fazemparte da coalizão de governo de Maliki tentam marginalizar osrivais antes das eleições locais de outubro. O comandante das forças iraquianas em Basra, major-generalAli Zaidan, disse à Reuters que suas forças mataram 120"combatentes inimigos" e feriram outros 450 desde o início dosconfrontos. Mas imagens da TV Reuters mostraram homens armados emascarados do Exército Mehdi, de Sadr, ainda controlando asruas e carregando abertamente foguetes e máquinas. Um porta-voz do Ministério da Defesa da Grã-Bretanha disseque aviões norte-americanos de guerra abriram fogo em Basrapela primeira vez para dar apoio às unidades iraquianas emsolo. Até o momento, as tropas britânicas, que patrulhavamBasra até dezembro, permanecem numa base nos arredores dacidade. Uma testemunha da Reuters disse que homens armados doExército Mehdi tomaram o controle da cidade de Nassiriya,capital da província de Dhi Qar, no sul do país. Combatentes do Exército Mehdi tomaram o controle deterritórios ou combateram autoridades nas cidades de Kut,Hilla, Amara, Kerbala, Diwaniya, entre outras localizadas nosul iraquiano, majoritariamente xiita, nos últimos dias. Em Bagdá, houve combates em pelo menos 13 bairrosmajoritariamente xiitas, especialmente Sadr City, a favela queé a base de poder do clérigo xiita. Forças norte-americanas disseram ter matado 27 pessoas emoperações realizadas em Bagdá na quinta-feira. Na quarta-feira, Maliki deu aos militantes em Basra 72horas para se renderem. Com esse prazo vencendo nestasexta-feira, ele anunciou que deu até 8 de abril para a entregade algumas armas. "Todos os que têm armas pesadas e intermediárias devementregá-las a locais de segurança e serão recompensadosfinanceiramente", disse ele em comunicado divulgado por seugabinete. As exportações de petróleo de Basra, de mais de 1,5 milhãode barris diários, representam 80 por cento da receita dogoverno iraquiano. Uma explosão em um duto na quinta-feirachegou a prejudicar as exportações na quinta-feira, mas elasforam retomadas na sexta-feira. O presidente do Parlamento iraquiano, Mahmoud Mashhadani,disse que representantes de partidos sunitas e xiitas, entreeles aqueles leais a Sadr, já concordaram em realizar umasessão especial às 15h (horário local, 9h em Brasília). (Reportagem adicional de Ross Colvin e Waleed Ibrahim)

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