Forças estrangeiras devem manter pressão sobre Kadafi, diz Hillary

Ataques à Líbia continuarão até que Kadafi cumpra totalmente resolução da ONU, afirmou secretária

Reutes e Associated Press

29 de março de 2011 | 11h00

LONDRES - A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, afirmou nesta terça-feira, 29, que os ataques da coalizão militar sobre a Líbia vão continuar até que Muamar Kadafi cumpra totalmente a exigência da ONU de cessar a violência contra os civis e retire suas forças das cidades ocupadas.

 

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Hillary, falando durante conferência internacional sobre a Líbia realizada em Londres, disse que a comunidade internacional vai trabalhar para aumentar a pressão e isolar o governo de Kadafi, para "deixar claro que Kadafi tem de sair".

 

 

Clinton disse que os países devem trabalhar juntos para assegurar que a Líbia africano "não pertença a um ditador, mas sim a seu povo".

 

Armas para os rebeldes

 

A embaixadora dos Estados Unidos na ONU, Susan Rice, disse nesta terça que o governo Obama não descarta armar os rebeldes líbios como opção para tentar encerrar o governo de 41 anos de Kadafi.

 

Um dia após o presidente Barack Obama ter defendido sua estratégia na Líbia em um discurso na TV, Rice afirmou que Kadafi não deu sinais de que deixará o poder sem pressão contínua das potências ocidentais que impuseram uma zona de exclusão aérea sobre a Líbia e usaram ataques aéreos para conter suas forças terrestres.

 

"No longo prazo, como o presidente disse, há outras coisas ao nosso dispor que talvez auxiliem a apressar a saída de Kadafi", disse ela no programa "The Early Show" da rede CBS, como parte de uma série de entrevistas para emissoras norte-americanas. "Pode acontecer da noite para o dia", acrescentou.

 

Mais de 40 países e organizações internacionais se reuniram em Londres nesta terça-feira para planejar um futuro pós-Kadafi para a Líbia. O Reino Unido e a Itália deram a entender que ele pode ter permissão de se exilar.

 

Rice disse que os EUA irão manter a pressão financeira e diplomática sobre o governo líbio até Kadafi renunciar e insinuou que novas medidas podem estar na mesa, incluindo armar os rebeldes líbios.

 

"Ainda não tomamos esta decisão, mas com certeza não a descartamos", declarou ela no programa "Good Morning America", da rede ABC.

 

Referindo-se a relatos de que membros do círculo íntimo de Kadafi começaram a procurar o Ocidente, Rice disse: "Seremos mais persuadidos por ações do que perspectivas ou sondagens".

 

"A mensagem para Kadafi e aqueles próximos dele é que a história não está do seu lado. O tempo não está do seu lado. A pressão está aumentando", disse ela à ABC.

 

O senador republicano John McCain criticou a decisão de Obama de limitar a atual operação militar à proteção de civis e à ajuda aos esforços humanitários, dado que o objetivo da política dos EUA é depor Kadafi.

 

"Se Kadafi continuar no poder, veremos um impasse... o mesmo tipo de coisa que vimos com Saddam Hussein quando estabelecemos uma zona de exclusão aérea, sanções, etc, e durou 10 anos. Já vimos esse filme", disse.

 

McCain faz parte de um grupo de críticos que pediu o armamento dos rebeldes líbios.

 

Os Estados Unidos estão reduzindo seu envolvimento militar na Líbia a um papel coadjuvante após mais de uma semana de ataques aéreos, permitindo que a Otan assuma o comando total da força internacional.

 

 

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