Forças israelenses intensificam ofensiva nos subúrbios de Gaza

Tropas avançam na periferia da cidade pela primeira vez; pelo menos 60 alvos são bombardeados no território

Reuters e Associated Press,

13 de janeiro de 2009 | 08h52

As forças de Israel reforçaram nesta terça-feira, 13, o controle sobre o entorno da Cidade de Gaza, e o militar mais graduado de Israel disse que "ainda há trabalho" a ser feito contra o Hamas, após 18 dias de uma ofensiva que já matou mais de 900 palestinos. Tropas israelenses avançaram para os subúrbios pela primeira vez no início desta terça-feira, segundo o relato de moradores, horas depois de o primeiro-ministro Ehud Olmert alertar os milicianos islâmicos do Hamas que eles enfrentam um "punho de ferro", a menos que concordem com os termos israelenses para encerrar a guerra na Faixa de Gaza. O Hamas, contudo, não mostrou sinais de hesitação e seu líder, Ismail Haniyeh, apareceu na tevê para dizer que os milicianos estão "mais perto da vitória".   Veja também: Olmert diz ter pedido abstenção dos EUA para resolução da ONU Tropas ficam sob fogo vindo da Jordânia Aumenta suspeita do uso de armas ilegais no conflito em Gaza Exército reforça controle nas áreas urbanas de Gaza Brasileiros em Israel protestam contra o PT  Conflito em Gaza vira guerrilha urbana  Secretário-geral da ONU apela por trégua Especial traz mapa com principais alvos em Gaza  Linha do tempo multimídia dos ataques em Gaza  Bastidores da cobertura do 'Estado' em Israel  Conheça a história do conflito entre Israel e palestinos  Veja imagens de Gaza após os ataques        Segundo os moradores, os tanques israelenses entraram em áreas públicas do subúrbio Tel Hawwa, acuando os milicianos. Dezenas de milhares de palestinos moram em prédios de apartamentos na parte sul da cidade. Os militares de Israel disseram ter bombardeado por ar 60 alvos, inclusive postos de comando do Hamas, fábricas de armas e túneis usados para contrabandear material bélico do Egito para a Faixa de Gaza. Fontes médicas palestinas disseram que pelo menos 925 palestinos já morreram desde o início da ofensiva por mar e ar, no dia 27, e outras 4 mil foram feridas. O ministro da Saúde do governo palestino do Hamas disse que quase 400 mortos são mulheres e crianças.   Um dos moradores, Khader Mussa, de 35 anos, disse por telefone à Associated Press que viu dois prédios de apartamentos em chamas. Ele estava abrigado no subsolo de seu prédio com outras 25 pessoas, incluindo sua esposa grávida e seus pais. "Os portões do inferno se abriram", declarou. "Deus nos ajude". Testemunhas disseram que vários outros edifícios estavam em chamas, incluindo uma madeireira. Uma fumaça espessa cobria a área. Os militares israelenses confirmaram que estava sendo travada uma batalha no local, mas não deram detalhes. Desde o início do conflito, Israel registrou 13 mortes --sendo 10 soldados e 3 civis atingidos por morteiros e foguetes.   O ruído de explosões e metralhadoras ecoava por esta cidade de meio milhão de habitantes, depois que os tanques israelenses se aproximaram do centro. Equipes médicas disseram que 12 atiradores palestinos, alguns deles integrantes do grupo islâmico Hamas, que governa o território, foram mortos em combates pela manhã. O Hamas disse ter detonado explosivos sob blindados de Israel e enfrentado forças apoiadas por disparos de helicópteros, aviões e navios.   Dois foguetes disparados por militantes atingiram a cidade israelense de Beersheba, sem fazer vítimas. "Conseguimos muita coisa no sentido de atingir o Hamas e sua infraestrutura, seu regime e sua ala armada, mas ainda há trabalho pela frente", disse o general Gabi Ashkenazi, chefe do Estado-Maior de Israel, a uma comissão parlamentar. "Estamos trabalhando para aprofundar o golpe contra seu braço militar, para reduzir o fogo (do Hamas), fortalecer a dissuasão e melhorar a situação de segurança para os moradores do sul de Israel que vivem sob a ameaça dos ataques (dos foguetes de militantes)", afirmou. Um outro general israelense disse antes a jornalistas na frente de combate que suas forças estavam "reforçando o círculo" em torno da Cidade de Gaza.   O secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, está a caminho da região para uma semana de discussões sobre uma eventual trégua com Egito, Israel, Jordânia e Síria. "Minha mensagem é simples, direta e no ponto: a luta deve parar. Para ambos os lados eu digo: parem agora", disse Ban a jornalistas antes de embarcar.   O foco dos esforços de paz agora se concentra na proposta egípcia de um imediato cessar-fogo para permitir a entrada da ajuda humanitária em Gaza, negociações para a abertura das passagens na fronteira de Gaza e a adoção de medidas para impedir o contrabando de armas. Olmert disse que as principais exigências de Israel são inegociáveis. "Queremos encerrar a operação quando as duas condições que exigimos forem atendidas: o fim dos disparos de foguetes e a interrupção do rearmamento do Hamas", afirmou.

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