Forças líbias dizem ter tomado parte de cidade leal a Gaddafi

O governo provisório da Líbia afirmou nesta segunda-feira que suas forças capturaram o aeroporto e a fortaleza da cidade de Sabha, um dos últimos redutos dos soldados leais a Muammar Gaddafi, que também controlam a principal rodovia que sai do país pelo sul.

MARIA GOLOVNINA E ALEXANDER DZIADOSZ, REUTERS

19 Setembro 2011 | 20h11

"Nossas forças estão lá no aeroporto e no castelo... nossas bandeiras estão hasteadas lá", disse Ahmed Bani, porta-voz militar do Conselho Nacional de Transição (CNT), numa entrevista coletiva em Trípoli. Não foi possível obter uma confirmação independente.

Sabha, 770 quilômetros ao sul de Trípoli, ao pé de uma fortaleza deixada pela colonização italiana, domina o principal acesso ao vizinho Níger, rota de escape já usada por membros do antigo regime.

Além de Sabha, as forças de Gaddafi oferecem resistência também em Bani Walid, 150 quilômetros ao sul da capital, e na litorânea Sirte, terra natal do ex-governante.

Um porta-voz de Gaddafi disse nesta segunda que suas forças capturaram 17 combatentes a serviço do novo governo, incluindo cidadãos da França e Grã-Bretanha. Bani, o porta-voz do CNT, negou isso. "Não há prisioneiros britânicos nem franceses" na cidade, afirmou.

Segundo declarações do porta-voz de Gaddafi Moussa Ibrahim à TV síria Arrai, os supostos mercenários são "especialistas técnicos, e incluem oficiais consultivos".

"A maioria deles é de franceses, um deles é de um país asiático que não foi identificado, dois (são) ingleses e um (é) catariano", acrescentou Ibrahim, sem apresentar provas. Não foi possível verificar de forma independente esse relato.

O chanceler da França, Alain Juppé, disse que não há "nenhum mercenário francês na Líbia". A chancelaria britânica disse não ter informações sobre a veracidade do relato, e o Catar não se manifestou. A Otan, que há meses realiza bombardeios aéreos contra as posições de Gaddafi, disse que não mantém tropas terrestres na Líbia.

Mas governos ocidentais sabidamente mobilizaram tropas terrestres por lá no passado, e a imprensa tem noticiado que empresas privadas de segurança têm prestado serviços às forças anti-Gaddafi. Países árabes do Golfo Pérsico também enviaram instrutores e armas.

Quase um mês depois da deposição de Gaddafi, que passou 42 anos no poder, a notícia sobre a suposta prisão de mercenários gera confusão sobre a situação da Líbia. Depois de anunciar repetidamente que estava na iminência de capturar Bani Walid e Sirte, as forças do CNT enfrentam uma resistência mais feroz do que o previsto, e precisaram recuar em ambas as localidades.

(Reportagem adicional de John Irish em New York; William MacLean e Joseph Logan em Trípoli; e Sherine El Madany a leste de Sirte)

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