Forças sírias matam 11; manifestantes imploram por ajuda

Soldados abriram fogo e mataram 11 manifestantes após as preces da sexta-feira na Síria, segundo ativistas, num dia em que multidões foram às ruas em várias cidades para pedir o fim da repressão e a renúncia do presidente Bashar al-Assad.

KHALED YACOUB OWEIS, REUTERS

23 Setembro 2011 | 18h29

"Ajudem a Síria, ela está sangrando", diziam cartazes levados por manifestantes em Hajar al Aswad, subúrbio de Damasco, onde vivem dezenas de milhares de refugiados das colinas do Golã (território sírio ocupado por Israel).

As manifestações puderam ser vistas em vídeos divulgados pela Internet. As autoridades sírias expulsaram a maioria dos jornalistas estrangeiros desde o início da revolta, em março.

Segundo ativistas, nove manifestantes foram mortos na província de Homs, e os outros dois nos subúrbios de Damasco.

"Vimos um esforço mais decidido (das forças de segurança) para esmagar Homs. Mas a cidade é grande, e sua zona rural se rebelou", disse o ativista que se identificou apenas como Hassan.

Manifestantes foram atacados também na região tribal de Deir al Zor, na fronteira com o Iraque, e na cidade de Hama, segundo ativistas.

A ONU diz que pelo menos 2.700 civis já foram mortos na Síria desde o início da repressão, inclusive cerca de cem crianças. O governo diz que a violência está sendo causada por "terroristas" e "amotinados" patrocinados por potências estrangeiras, e que 700 policiais e soldados já foram assassinados.

Organizações de direitos humanos e diplomatas ocidentais relataram que civis foram torturados e presos políticos foram mortos nas últimas duas semanas. Vários países já impuseram sanções ao regime sírio, mas a China e a Rússia têm protegido Assad de ser alvo de punições do Conselho de Segurança da ONU.

Além disso, os Estados Unidos e a Europa demonstram pouco apetite por uma ação militar contra o regime sírio, a exemplo do que ocorreu recentemente na Líbia, levando à deposição de Muammar Gaddafi.

"A oposição é contra a intervenção militar estrangeira. Mas queremos proteção de alguma forma para conter a carnificina", disse à TV Al Jazeera o ativista Alaa Yousef, da província de Idlib (noroeste).

Vários dirigentes oposicionistas também dizem ser contra uma intervenção militar, mas apoiariam uma "proteção internacional" aos civis.

(Reportagem adicional de Avril Ormsby)

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