Forças sírias matam 15 manifestantes durante marchas--ativistas

As forças sírias de segurança mataram a tiros pelo menos 15 pessoas nesta sexta-feira, quando dezenas de milhares de manifestantes saíram às ruas para exigir a renúncia do presidente Bashar al-Assad, segundo testemunhas e ativistas.

KHALED YACOUB OWEIS, REUTERS

24 de junho de 2011 | 17h19

"Diga ao mundo que Bashar está sem legitimidade", gritavam milhares de pessoas em Irbin, subúrbio de Damasco. Era possível ouvir as palavras de ordem num telefonema a uma testemunha que estava no local.

Os Comitês Locais de Coordenação, um importante grupo de ativistas, disse ter nomes de 14 civis mortos nas cidades de Homs e Kiswa, e no bairro de Barzeh, em Damasco. Outro manifestante foi morto a tiros na localidade de Qusair, segundo uma entidade de direitos humanos.

A TV estatal síria atribuiu as mortes em Barzeh a grupos armados que, segundo as autoridades, são responsáveis pela violência em meio à revolta popular iniciada há três meses. A emissora afirmou também que membros das forças de segurança foram feridos nos distúrbios.

A Síria expulsou do país a maioria dos jornalistas estrangeiros, o que dificulta a confirmação dos relatos oficiais ou de testemunhas.

"A polícia de segurança primeiro usou gás lacrimogêneo, e depois começou a atirar dos telhados quando os gritos contra Assad continuaram", disse por telefone um morador de Barzeh que se identificou como Hussam. "Três jovens foram mortos, e vi dois corpos baleados na cabeça e no peito."

Nas cidades de Homs e Hama (centro do país), as pessoas gritavam que "o povo quer a queda do regime". Em Deraa, berço da rebelião, havia cartazes rejeitando a promessa de diálogo nacional feita por Assad nesta semana.

Os manifestantes de Deraa também faziam apelos para que a população de Damasco participe dos protestos, que são mais intensos no interior. "Povo de Damasco, aqui em Deraa derrubamos o regime", gritavam.

Houve protestos também em cidades do oeste, junto à costa do Mediterrâneo, e do leste, perto da fronteira com o Iraque. Na quinta-feira, tropas sírias haviam ocupado posições junto à fronteira com a Turquia, no norte, levando mais 1.500 pessoas a fugirem para o país vizinho. A Turquia diz já ter recebido mais de 11 mil refugiados.

A TV síria disse na sexta-feira que as unidades do Exército estão "completando sua mobilização" em aldeias fronteiriças, que não houve baixas durante a operação, e que os soldados foram recebidos com flores e arroz pelos moradores.

Grupos de direitos humanos dizem que mais de 1.300 pessoas já foram mortas na repressão aos protestos, o que atrai condenação do Ocidente e uma gradual escalada das sanções dos EUA e da União Europeia contra líderes sírios.

As autoridades sírias culpam militantes islâmicos e grupos armados por terem matado mais de 200 policiais e agentes de segurança.

(Reportagem adicional de Omer Berberoglu e Umit Bektas em Guvecci, Turquia; Simon Cameron-Moore e Ibon Villelabeitia em Ancara; Suleiman al-Khalidi em Amã; e Andrew Quinn em Washington)

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