Forças sírias matam 4 desertores, dizem ativistas

Quatro soldados sírios foram mortos na segunda-feira quando tentavam escapar de um acampamento militar, e tropas sitiaram cidades inteiras como parte da repressão aos protestos contra o presidente Bashar al Assad, segundo ativistas.

DOMINIC EVANS, REUTERS

26 Setembro 2011 | 17h47

A campanha militar tem se concentrado em localidades ao norte da cidade de Homs, onde um crescente número de militares desertores tem realizado ações de guerrilha contra barreiras rodoviárias montadas por soldados e milicianos leais a Assad.

O Observatório Sírio de Direitos Humanos, com sede na Grã-Bretanha, disse que quatro soldados foram mortos por policiais militares ao tentarem fugir da sua guarnição na província de Idlib (norte). Outros sete soldados teriam sido presos.

Na localidade de Rastan, ao norte de Homs, três pessoas ficaram feridas por disparos de metralhadoras instaladas sobre os tanques que cercam a cidade, que fica à margem da principal rodovia que dá acesso à Turquia, segundo moradores.

Diante dos crescentes protestos contra os 41 anos de domínio político da sua família na Síria, Assad mobilizou tanques e tropas para cidades grandes e pequenas em todo o país.

A repressão militar já deixou pelo menos 2.700 mortos, incluindo cem crianças, segundo a ONU. As autoridades sírias atribuem os distúrbios a "terroristas" e "amotinados", e dizem que 700 policiais e soldados já foram mortos.

Em Homs, um professor da faculdade de arquitetura e um oficial que trabalhava na escola militar de ciências foram mortos a tiros em dois ataques diversos, segundo o Observatório Sírio. Um ativista disse que aparentemente os homens foram vítimas de atiradores da oposição, por causa do seu apoio ao governo.

A Síria expulsou do país a maior parte da imprensa estrangeira, o que dificulta a verificação dos relatos de autoridades e ativistas.

Em Washington, o Departamento de Estado disse que a contínua repressão militar vem alterando a dinâmica dos protestos na Síria. "Não é surpreendente, diante do nível de violência nos últimos anos, que membros da oposição estejam começando a usar a violência contra os militares, como um ato de autopreservação", disse Mark Tonner, porta-voz do Departamento de Estado.

A repressão aos protestos tem deixado a Síria cada vez mais isolada entre seus vizinhos. Em entrevista transmitida no domingo pela CNN, o primeiro-ministro turco, Tayyip Erdogan, disse que "mais cedo ou mais tarde" Assad será derrubado por seu povo.

"Você nunca pode permanecer no poder por meio da crueldade. Você nunca pode se contrapor ao desejo do seu povo", disse Erdogan.

Assad tem dito que potências estrangeiras estão usando os distúrbios para dividir a Síria, e que qualquer Estado usaria métodos semelhantes contra uma revolta.

Mais conteúdo sobre:
SIRIAPROTESTOSMORTES*

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.