Forças sírias prendem dezenas em Banias e Homs, dizem ativistas

Forças de segurança sírias prenderam dezenas de pessoas nesta segunda-feira em duas cidades conturbadas para as quais o presidente Bashar al-Assad vem enviando tropas para esmagar uma revolta que teve início há sete semanas contra seu governo autoritário. A informação é de um grupo de defesa dos direitos humanos.

KHALED YACOUB OWEIS, REUTERS

09 de maio de 2011 | 12h53

O Observatório Sírio de Direitos Humanos disse que pessoas foram detidas na cidade central de Homs e em Banias, na costa mediterrânea -- o alvo mais recente das operações intensificadas de repressão lançadas por Assad contra manifestantes --, além de outras regiões.

"A repressão continuou hoje em toda a Síria, aumentando o número de detentos, que já chega a milhares", disse um porta-voz do grupo.

A turbulência na Síria começou em 18 de março, quando manifestantes, inspirados pelos levantes ocorridos em vários pontos do mundo árabe, promoveram uma marcha na cidade de Deraa, no sul do país. Inicialmente Assad acenou com vagas promessas de reforma, e no mês passado ele revogou o estado de emergência que vigorava no país havia 48 anos.

Mas, quando os protestos persistiram, ele enviou o exército para sufocar a dissensão pública, primeiro para Deraa e depois para outras cidades, deixando claro que não arriscaria perder o controle estreito que sua família exerce sobre a Síria há 41 anos.

O Observatório Sírio diz que 621 civis e 120 soldados e agentes de segurança foram mortos desde que os protestos começaram. Outro grupo sírio de defesa dos direitos humanos, Sawasiah, avalia em mais de 800 o número de civis mortos.

Na semana passada um diplomata ocidental estimou que cerca de 7.000 pessoas foram detidas, mas o Observatório disse que outras 400 ou 500 foram presas desde então apenas em Banias.

Um morador de Homs disse ter ouvido tiros dispersos durante a noite mas que a situação na cidade estava mais calma na segunda-feira. De acordo com o Observatório Sírio, três pessoas foram mortas em Homs no domingo.

Até o início do levante, Assad vinha emergindo de um período de isolamento imposto pelo Ocidente em função do apoio sírio aos grupos militantes Hezbollah e Hamas e sua aliança informal com o Irã contra Israel. Os Estados Unidos acusam a Síria de autorizar a entrada de militantes no Iraque para apoiar a insurgência contra forças americanas e iraquianas no país.

No mês passado Washington anunciou novas sanções contra figuras sírias, e na semana passada a União Europeia concordou em impor congelamentos de bens e restrições de viagem a até 14 autoridades sírias que seriam responsáveis pela repressão violenta.

Mas analistas dizem que é pouco provável que as sanções, por si só, impeçam as autoridades sírias de recorrer à força para sufocar a turbulência.

Os manifestantes reivindicam liberdades políticas, o fim da corrupção e a saída de Assad, negando a afirmação deste de que eles fariam parte de uma conspiração estrangeira determinada a provocar violência sectária.

As autoridades sírias atribuem os quase dois meses de protestos a "grupos armados" que, segundo elas, estariam operando em Deraa, Banias, Homs e outras partes do país.

Tudo o que sabemos sobre:
SIRIAPRISOESBANIAS*

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.