Fornecimento de energia é retomado em Gaza

União Européia retoma financiamento de eletricidade após acusações de corrupção sobre a verba doada

Associated Press e Agência Estado,

22 de agosto de 2007 | 14h13

Geradores de eletricidade desligados havia dias em Gaza voltaram a ser abastecidos nesta quarta-feira, encerrando quase uma semana de falta de energia elétrica e de calor excessivo para centenas de milhares de palestinos afetados pelo corte.   O envio de combustível à usina foi retomado nesta quarta-feira e o fornecimento de eletricidade para a região central de Gaza já estava restabelecido no meio da manhã.   Áreas um pouco mais afastadas voltarão a ter eletricidade provavelmente na tarde desta quarta, segundo as previsões, informou a Companhia Geradora de Gaza.   A crise energética começou na semana passada, quando Israel fechou um entroncamento de fronteira pelo qual passavam caminhões de combustível usado em geradores.   O entroncamento foi reaberto no domingo, mas no mesmo dia a União Européia (UE), que oferece ajuda energética aos palestinos, decidiu suspender os repasses enquanto o Hamas não oferecer garantias de que não há desvio.   Na terça-feira, os doadores europeus prometeram retomar a ajuda energética aos moradores da Faixa de Gaza com base em razões humanitárias. A decisão européia foi divulgada horas depois de líderes do Hamas em Gaza terem convidado o bloco a enviar uma equipe de investigadores para apurar denúncias de desvio do dinheiro enviado pela entidade na forma de ajuda energética aos palestinos.   A UE suspendeu os repasses depois de o movimento Fatah, do presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, ter acusado o Hamas de desviar o dinheiro da ajuda energética para outros fins.   Líderes do grupo islâmico negam a acusação da facção rival e denunciam que um ex-diretor filiado ao Fatah seria o verdadeiro responsável pelo desvio de dinheiro.   Ao longo dos últimos dias, nos quais as temperaturas chegaram a 34ºC no território palestino litorâneo, pelo menos a metade dos 1,4 milhão de habitantes de Gaza ficou sem energia elétrica por causa da crise.   Sem energia suficiente para manter em funcionamento as centrais de distribuição, a companhia de saneamento básico impôs um racionamento de água.   Na terça-feira, o líder do Hamas em Gaza, Ismail Haniye, disse que seu governo não desviou nenhum dinheiro da companhia energética ajudada pela UE. Ele qualificou a denúncia como uma tentativa de Abbas de colocar o Hamas em descrédito e acusou a UE de fazer o jogo do Fatah.   "Nós desafiamos quem quer que diga que o governo desviou um único Shekel do orçamento da companhia ou um litro de óleo diesel", disse Haniye durante entrevista coletiva concedida nesta quarta em Gaza.   A Comissão Européia - órgão executivo da UE - informou que retomaria a ajuda energética em caráter provisório e por "razões humanitárias", mas promoveria uma auditoria em conjunto com o governo de Abbas.

Tudo o que sabemos sobre:
GazaHamasUnião EuropéiaUE

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.