Fórum de direitos humanos da ONU faz debate sobre Síria

O principal fórum de direitos humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) fará um debate urgente na terça-feira sobre a situação deteriorante na Síria depois que a Rússia afirmou não ter objeções formais, mas alertou que qualquer registro por escrito das conversas seria "contraproducente".

STE, REUTERS

27 de fevereiro de 2012 | 12h36

Na abertura da sessão anual de quatro semanas do Conselho de Direitos Humanos, nesta segunda-feira, o Catar pediu um debate urgente sobre a Síria, um pedido que foi apoiado pela maioria dos membros da Liga Árabe, bem como pela União Europeia e Estados Unidos.

O Irã levantou objeções à realização de um debate emergencial sobre a violência que acomete seu aliado. O ministro iraniano de Relações Exteriores, Ali Akbar Salehi, vai falar sobre as conversas mais tarde nesta segunda-feira, mas, como observador, o Irã não pode bloquear o consenso no fórum de 47 membros.

A delegação russa disse que não acreditava que o debate fosse necessário depois de três sessões especiais sobre a crise, mas mais tarde afirmou que seguiria o consenso.

"Não vamos contestar a realização de uma reunião especial do Conselho de Direitos Humanos para discutir a situação na Síria. Ao mesmo tempo, pedimos que todas as delegações interessadas assegurem que as discussões sejam mantidas da forma mais construtiva e despolarizada possível", afirmou a diplomata russa Marina Korunova.

"Continuamos acreditando que qualquer registro da reunião na forma de documento escrito não seria útil e poderia ser contraproducente", acrescentou.

Uma resolução aprovada pelo principal fórum de direitos humanos da ONU não teria impacto prático. O Conselho de Segurança da ONU ficou num impasse sobre a Síria quando Rússia e China vetaram uma resolução condenando a repressão sangrenta do governo.

Países árabes e ocidentais querem uma nova condenação da repressão das forças sírias aos protestos que começaram há quase um ano.

A artilharia síria atacou áreas controladas por rebeldes em Homs novamente nesta segunda-feira, horas antes do governo anunciar que um referendo - considerando uma farsa pela oposição e pelo Ocidente - havia aprovado uma nova constituição proposta pelo presidente Bashar al-Assad.

"Esperamos que o objetivo do encontro não seja estabelecer um pretexto para uma ação militar e um ataque armado das principais potências contra a integridade territorial e contra a soberania do povo sírio", disse o embaixador cubano Rodolfo Reyes Rodriguez.

"A situação na Síria exige uma solução, mas não necessariamente a que as potências querem impor", afirmou ele.

Investigadores independentes de direitos humanos disseram em um relatório da ONU na semana passada que as forças sírias haviam matado a tiros mulheres e crianças desarmadas, atacado áreas residenciais e torturado manifestantes feridos em um hospital, seguindo ordens do "mais alto escalão" do Exército e de autoridades do governo.

Tudo o que sabemos sobre:
SIRIAONUFORUM*

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.