Fracassam esforços de paz no Afeganistão para 2014

O governo afegão não conseguiu manter negociações diretas com o Taliban e nenhum progresso significativo é esperado para antes de 2014, quando a maior parte das tropas de combate da Otan vai se retirar do país, disse nesta sexta-feira uma autoridade afegã envolvida de perto com os esforços de reconciliação.

MICHAEL GEORGY E HAMID SHALIZI, Reuters

09 de novembro de 2012 | 15h16

"Nenhum avanço é esperado para antes da eleição de 2014", disse a autoridade à Reuters, falando sob a condição de anonimato.

Um acordo político entre o governo afegão e os insurgentes é considerado por muitos como a melhor forma de promover a estabilidade no país antes que a maioria das tropas de combate da Otan se retire do Afeganistão, no fim de 2014.

As autoridades afegãs também esperavam avançar com os esforços de reconciliação antes das eleições presidenciais de abril de 2014, a fim de reduzir os riscos de uma instabilidade prolongada em uma nação que sofre com décadas de guerra.

"Houve contatos aqui e ali, mas nenhuma conversa cara a cara ocorreu", disse a autoridade afegã sobre a tentativa de envolver o Taliban.

"Não ocorreu nenhuma no Afeganistão nem em outros países." Também houve pouco progresso em outras frentes. O Taliban disse em março que estava suspendendo as conversações de paz com os Estados Unidos no Catar, por culpa das declarações "erráticas e vagas" dos EUA.

Uma autoridade afegã sugeriu que os contatos com o Taliban foram limitados.

"Os contatos ocorreram em sua maior parte no nível das províncias. Por exemplo, uma autoridade pode ter encontrado comandantes do Taliban e pedido para que eles não atacassem escolas", afirmou.

O Paquistão, que tem uma longa história de laços com grupos insurgentes afegãos, está em uma posição forte para ajudar a estabilizar o Afeganistão, mas precisa fazer mais do que emitir declarações de apoio, disse a autoridade.

As autoridades afegãs costumam ver o Paquistão como um parceiro relutante nas tentativas de promover o diálogo com o Taliban. Islamabad nega as acusações de que usa os grupos insurgentes como representantes no Afeganistão e prometeu fazer tudo o que puder para acabar com o confronto.

"Na prática, eles precisam facilitar mais rápido", disse a autoridade, acrescentando que o Conselho Superior da Paz do Afeganistão em breve apresentará ao Paquistão um mapa do caminho sobre como o país pode ajudar a promover a paz.

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