França ameaça deixar Afeganistão após morte de soldados

Sarkozy exige restabelecimento de padrões de segurança para tropas estrangeiras e da Otan

Reuters

20 de janeiro de 2012 | 13h37

PARIS - A França ameaçou nesta sexta-feira, 20, antecipar a retirada da guerra liderada pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) no Afeganistão depois que um soldado afegão abriu fogo contra soldados franceses, matando quatro e ferindo outros 15.

 

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O ataque no vale Taghab, na província de Kapisa, no leste do Afeganistão, foi o último de uma série de incidentes que envolvem soldados afegãos se voltando contra seus aliados ocidentais, prejudicando a confiança entre ambos.

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, disse que todas as operações francesas em solo estavam sendo suspensas e que seu ministro da Defesa foi enviado para esclarecer as coisas no Afeganistão. "Se as condições de segurança não forem claramente estabelecidas, a questão de um retorno antecipado das forças francesas do Afeganistão será levantada", disse Sarkozy.

A França tem quase 4 mil soldados no Afeganistão como parte de uma força de 130 mil homens liderada pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) ali. As tropas francesas patrulham principalmente Kapisa, uma província agitada nas montanhas perto de Cabul. Elas devem deixar o país por volta do final de 2013.

O ministro francês das Relações Exteriores, Alain Juppé, disse em uma coletiva de imprensa que outros 15 soldados ficaram feridos, oito deles gravemente.

A Otan vem expandindo rapidamente o tamanho das forças de segurança afegãs para que elas sejam capazes de assumir a responsabilidade pela segurança do país quando as forças de combate ocidentais deixarem o Afeganistão em 2014.

Incidentes prévios em que soldados ocidentais foram mortos por colegas afegãos foram atribuídos ou a uma infiltração do Taliban no exército afegão, ou ao estresse, indisciplina e lealdades divididas dentro das fileiras afegãs. "É inaceitável que nossos soldados sejam mortos por nossos aliados", disse Sarkozy.

O presidente afegão, Hamid Karzai, disse em um comunicado: "Em vista do assassinato de quatro soldados franceses em Kapisa, eu gostaria de expressar minha profunda tristeza e dar condolências às famílias das vítimas e ao povo francês".

O Taleban disse que não podia confirmar se o assassino era membro do grupo, mas sugeriu que tais ataques eram parte de sua estratégia. Em um comunicado enviado à mídia por email, o porta-voz dos insurgentes, Zabihullah Mujahid, disse que "há um número de soldados afegãos que tem uma dignidade islâmica e afegã em seus corações e que lançaram um número de ataques contra as tropas estrangeiras".

O Taleban "conseguiu de maneira bem-sucedida colocar guerreiros dentro das fileiras inimigas que lançaram ataques, embora não esteja claro se o atirador (em Kapisa) pertencia ao Emirado Islâmico", disse, usando o outro nome do grupo.

Mais de 2,5 mil soldados estrangeiros morreram no Afeganistão desde que a guerra liderada pela OTAN começou em 2001. As últimas mortes elevam o total de mortos franceses para 82. Dezenas de soldados estrangeiros foram mortos nos últimos anos pelo que a Otan apelidou de "ameaça interna", complicando os esforços da coalizão de treinar o exército e a polícia do Afeganistão.

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