França confirma ter mantido contatos com Hamas

Facção islâmica afirma que diálogo com chanceler francês mostra reconhecimento do grupo pela Europa

Agência Estado e Associated Press,

19 de maio de 2008 | 10h24

O ministro das Relações Exteriores da França, Bernard Kouchner, confirmou nesta segunda-feira, 19, que seu país manteve contatos informais com o Hamas. O grupo islâmico confirmou o fato e observou que a França não era o único país europeu a se comunicar com a organização recentemente.   Kouchner, falando à rádio Europa-1, confirmou uma reportagem do jornal Le Figaro, que citou um diplomata aposentado, o qual afirmou ter se encontrado com líderes do Hamas há um mês. O grupo é qualificado como terrorista pela União Européia (UE) e pelo Estados Unidos. O partido Fatah dominou a política palestina por décadas, mas foi derrotado pelo Hamas, um grupo militante islâmico, nas eleições parlamentares de 2006. Em junho de 2007, o Hamas tomou o controle da Faixa de Gaza à força, desencadeando uma crise entre os palestinos.   A França mantém contatos com líderes do Hamas "há vários meses", disse Kouchner. Mas ele ponderou que o país não está envolvido em negociações formais. "Essas não são relações, são contatos. Nós devemos ser capazes de falar se quisermos ter uma participação". O ministro francês de Relações Exteriores fará uma visita de três dias aos territórios palestinos e a Israel esta semana.   Um porta-voz do Hamas na Faixa de Gaza, Sami Abu Zuhri, confirmou que o grupo teve contato com a França - e, além disso, "comunicações com muitos funcionários europeus". "Isso reflete o reconhecimento da Europa de que cometeu um erro ao boicotar o Hamas", completou Zuhri. Não foram informados os nomes dos outros países que contataram o Hamas. Segundo o porta-voz, não houve discussões para a abertura formal de relações diplomáticas. As conversas foram para "explorar as posições do Hamas sobre temas políticos."   Em Israel, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Arye Mekel, disse que Kouchner será questionado sobre os contatos, quando visitar o país. Segundo Mekel, há um acordo entre Europa, Estados Unidos e Israel segundo o qual o Hamas deve cumprir algumas condições antes das conversas. Os pré-requisitos são reconhecer Israel, renunciar à violência e aceitar acordos de paz prévios - nenhum deles foi cumprido, alegou o funcionário.   Kouchner disse que as conversas não foram realizadas com regularidade, mas evitou entrar em detalhes. Um ex-embaixador da França no Iraque, Yves Aubin de la Messuziere, disse ao Le Figaro que se encontrou no mês passado em Gaza com Mahmoud Zahar, homem forte do Hamas, e Ismail Haniye, o primeiro-ministro do Hamas.   O Ministério das Relações Exteriores da França disse mais tarde que a viagem de Messuziere foi uma iniciativa "individual", mas que a chancelaria foi devidamente informada sobre o fato. Os líderes do Hamas "asseguraram que estavam prontos para aceitar um Estado palestino conforme as fronteiras de 1967, o que significa um reconhecimento indireto de Israel", afirmou o diplomata aposentado. "Eles disseram que estavam prontos para interromper os ataques suicidas e o que me surpreendeu é que os líderes islamitas reconheceram a legitimidade de Mahmoud Abbas", o moderado presidente palestino e líder do Fatah, disse Messuziere. O governo de Abbas, que controla a Cisjordânia, tem uma forte rivalidade com o Hamas, predominante em Gaza.   Kouchner, em uma entrevista de rádio, disse que o Hamas está "mais flexível que antes", mas no momento não reconhece o Estado de Israel. Em junho, durante uma visita oficial a Israel, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, "irá à Palestina por várias horas", informou o ministro. Segundo ele, Sarkozy não se encontrará com líderes do Hamas.

Tudo o que sabemos sobre:
HamasFrançaIsraelpalestinos

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.