França e Grã-Bretanha vão usar helicópteros na Líbia

A França e a Grã-Bretanha vão usar helicópteros nas operações na Líbia, disseram autoridades francesas na segunda-feira. A decisão busca realizar ataques aéreos com mais precisão contra as forças do líder Muammar Gaddafi.

JOHN IRISH E MOHAMMED ABBAS, REUTERS

23 de maio de 2011 | 17h57

O bombardeiro contínuo contra o porto controlado pelos rebeldes na cidade de Misrata, no oeste do país, mostra o tamanho do problema enfrentado pelas forças rebeldes e pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

Os rebeldes disseram que as forças de Gaddafi estão tentando avançar na cidade sitiada sob cobertura de mísseis e morteiros.

Autoridades do hospital local disseram que duas pessoas foram mortas e várias ficaram feridas na batalha de segunda-feira em Misrata. Mais tarde, fortes explosões foram ouvidas durante uma hora do lado de fora da cidade.

Um porta-voz dos rebeldes afirmou que as forças leais a Gaddafi bombardearam a cidade de Zintan, também controlada pelos rebeldes, e posicionaram tropas próximas de outra cidade na região montanhosa na fronteira com a Tunísia, intensificando operações no fronte ocidental da guerra.

A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, em entrevista à CBS News, disse que a pressão sobre Gaddafi estava aumentando.

"Acho que estamos vendo um progresso lento, porém estável. A pressão sobre o regime de Gaddafi aumentou a ponto de a esposa e filha de Gaddafi cruzarem a fronteira para a Tunísia nos últimos dois dias", ela disse. "O ministro do Petróleo desertou."

Ao confirmar a utilização de helicópteros de guerra, o ministro das Relações Exteriores francês, Alain Juppé, disse a repórteres em Bruxelas que a decisão estava de acordo com a resolução da Organização das Nações Unidas (ONU) de proteger os civis líbios e as operações militares da Otan.

"O que queremos fazer é melhorar nossos ataques para garantir que alvos no solo sejam atingidos com mais precisão", disse. "Este é o objetivo ao usar os helicópteros."

Os bombardeios da Otan prejudicaram Gaddafi, mas não foram suficientes para resolver o impasse entre as forças do governo e os rebeldes. Ainda que os helicópteros facilitem o ataque contra alvos urbanos ou camuflados, eles são mais vulneráveis à armas antiaéreas das tropas de Gaddafi.

Os britânicos também estavam enviando helicópteros, disse o ministro francês da Defesa, Gerard Longuet, mas nenhum outro país planejar fazer o mesmo.

A Grã-Bretanha foi lacônica. "Nós não temos o hábito de falar sobre quaisquer novas missões que empreendemos até que estejam em funcionamento", disse um porta-voz do governo britânico.

O jornal francês Le Figaro publicou reportagem dizendo que 12 helicópteros, que podem realizar ataques mais precisos contra as forças pró-Gaddafi se comparados com aeronaves de asas fixas, foram enviados para a Líbia a partir do navio de guerra francês Tonnerre em 17 de maio.

Uma resolução do Conselho de Segurança da ONU permite que a Otan realize ataques aéreos contra as forças de Gaddafi para defender os civis, mas explicitamente exclui qualquer ocupação militar.

Um porta-voz da Otan disse que não sabia se os helicópteros ficariam sob o comando da organização.

"A Otan está ciente que o governo francês decidiu mandar outro navio para se juntar às operações no Mediterrâneo sob comando nacional. A coordenação das atividades deste navio com as operações da Otan podem acontecer no futuro, se e quando for necessário", disse.

Críticos como a Rússia acusaram a Otan de ter excedido o seu mandado ao buscar uma ação sistemática para forçar o fim do governo de 41 anos de Gaddafi.

(Reportagem adicional de Joseph Logan, em Trípoli; de Sherine El Madany, em Benghazi; de Joseph Nasr, em Berlim; de David Brunnstrom, em Bruxelas; de Avril Ormsby, em Londres; de Tulay Karadeniz, em Ancara; e de Steve Gutterman, em Moscou)

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