Funcionário do PT chamou chanceler de Israel de 'fascista'

Avigdor Lieberman chega ao país nesta terça-feira e deve se reunir com Serra e Lula durante visita de 2 dias

Agência Estado e Associated Press,

21 de julho de 2009 | 12h28

Uma controvérsia atinge o ministro de Relações Exteriores de Israel no primeiro dia de sua visita à América Latina, iniciada nesta terça-feira, 21. Um integrante do Partido dos Trabalhadores (PT), que governa o país, teria chamado Avigdor Lieberman de "fascista". O jornal israelense Haaretz informou que Valter Pomar, secretário de Relações Internacionais do partido, afirmou durante uma entrevista que "Lieberman é um racista e fascista".

 

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O partido de esquerda é forte crítico das políticas de Israel para os palestinos e Lieberman tem defendido a adoção de medidas duras à minoria árabe de Israel. Ele sugeriu redesenhar as fronteiras israelenses para colocar áreas com forte concentração de cidadãos árabes para fora do país e sob jurisdição palestina, ao mesmo tempo em que exigiria dos que permanecessem em solo israelense que assinassem um juramento de lealdade ao Estado judeu. Cerca de 20% dos 7 milhões de cidadãos de Israel não árabes.

 

A viagem de dez dias de Lieberman à região tem como objetivo deter a crescente influência iraniana na região, além de estimular o comércio. Ele deve se reunir com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores, na quarta-feira.

 

Uma representante do partido disse que Pomar está viajando e não é possível entrar em contato com ele. Ela não fez comentários sobre a matéria do Haaretz. Uma porta-voz do presidente disse que as palavras de Pomar "representam sua opinião própria e não têm relação com o governo. Na verdade, elas foram bastante grosseiras". Ela falou em condição de anonimato.

 

Lieberman deve encontrar-se com um grupo ligado à indústria, líderes da comunidade judaica local e com o governador do Estado de São Paulo, José Serra, nesta terça-feira. Ele também visitará a Argentina, Peru e Colômbia, mas não fará paradas na Venezuela e Bolívia, países da América do Sul que têm fortes laços com o Irã.

 

Segundo o Haaretz, Pomar também disse que "a esquerda brasileira está organizando protestos" contra Lieberman "e contra a política que ele representa". O embaixador do Irã no Brasil, Moshen Shaterzadeh, disse na segunda-feira que o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, também vai visitar o Brasil, mas não divulgou a data em que a visita deve acontecer.

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