Funcionários públicos de Gaza recebem salários, em impulso para unidade palestina

Cerca de 24 mil funcionário públicos de Gaza contratados pelo grupo islâmico Hamas, muitos dos quais sem receber salário integral há quase um ano, finalmente foram pagos nesta quarta-feira pelo novo governo de unidade palestina, com sede na Cisjordânia.

NIDAL AL-MUGHRABI, REUTERS

29 de outubro de 2014 | 10h25

Os fundos foram fornecidos pelo Catar, que é um aliado do Hamas. Mas o fato de o dinheiro ter sido entregue pela administração da Cisjordânia aumentou as esperanças de que o pacto de união entre os rivais palestinos pode trazer frutos. 

Combatentes do Hamas tomaram controle de Gaza em 2007 das mãos de forças leais ao presidente palestino, Mahmoud Abbas, que tem o apoio do Ocidente. A desconfiança mútua se acirrou desde então, estragando as esperanças pela construção de um Estado independente combinando vários territórios palestinos. 

No entanto, os dois lados finalmente assinaram um pacto de reconciliação em junho, e, após negociações envolvendo a Organização das Nações Unidas, veículos trazendo dinheiro para os salários viajaram da Cisjordânia, por dentro de Israel, para a isolada Faixa de Gaza. 

Milhares de servidores lotaram as agências de correios de Gaza já nas primeiras horas para receber pagamentos individuais de 1.200 dólares -- algo raro após a devastadora guerra com Israel. 

“Este dinheiro será para pagar minhas dívidas. Eu tenho que pagar o aluguel atrasado, a eletricidade, conta de água, supermercado e açougue”, disse Mahmoud Al-Serhy, que trabalha no sistema de saúde. 

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, descreveu o fato como um “pagamento humanitário”, embora o dinheiro não seja suficiente para compensar totalmente os meses de salários reduzidos ou nulos. Não há planos imediatos para pagamento no mês que vem, ou qualquer outro. 

Cerca de 13 mil funcionários de segurança de Gaza leais ao Hamas e mais de três mil servidores civis foram excluídos do pagamento.

Tudo o que sabemos sobre:
ORMEDGAZASALARIOS*

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.