Fundador da Blackwater defende atuação de agentes no Iraque

Republicano questiona se chancelaria dos EUA ajudou a acobertar assassinato de civis no país

Associated Press e Agência Estado,

02 de outubro de 2007 | 14h11

O fundador da Blackwater, Erik Prince, defendeu nesta terça-feira, 2, a atuação de seus agentes, dizendo que 30 deles morreram enquanto protegiam diplomatas dos EUA no Iraque e que nenhum americano perdeu a vida estando sob proteção da companhia. Veja Também Brown anuncia retirada de mil soldados do IraqueEspecial: A ocupação do Iraque  A declaração foi feita no mesmo dia em que o deputado democrata Henry Waxman, presidente de uma comissão da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, questionou se a chancelaria americana teria criado condições para que a companhia de segurança privada Blackwater acobertasse mortes de civis no Iraque. "Creio que eles agiram adequadamente todas as vezes", defende Prince, um ex-integrante de uma força de elite da Marinha dos EUA de 38 anos. Segundo ele, "houve um julgamento apressado com base em informações incorretas".Waxman, um democrata da Califórnia, também aproveitou um debate sobre o tema no Congresso americano para qualificar a empresa como uma força mercenária nociva que poderia estar cobrando um preço abusivo do governo americano."A privatização (da guerra) está funcionando excepcionalmente bem para a Blackwater", declarou o deputado democrata. "A questão a ser feita é se os serviços terceirizados para a Blackwater são um bom negócio para os contribuintes americanos."Desde 2001, o governo americano já gastou mais de US$ 1 bilhão em contratos com a Blackwater, uma companhia de segurança privada cujos agentes estão envolvidos em uma série de controvérsias referentes a conduta, especialmente no Iraque.A Comissão Parlamentar de Supervisão e Reforma do governo discutia nesta terça um incidente ocorrido em 16 de setembro no qual agentes da Blackwater mataram pelo menos 11 iraquianos nas ruas de Bagdá.O governo iraquiano afirma que os 11 mortos eram civis e que os agentes da empresa atiraram primeiro. A Blackwater alega ter matado rebeldes que teriam atacado um comboio diplomático americano protegido pela empresa.Um relatório elaborado por congressistas americanos revela que a Blackwater esteve envolvida em quase 200 incidentes violentos no Iraque ao longo dos últimos dois anos e que os agentes da companhia foram os primeiros a atirar em mais de 80% dos casos."Em 32 (dos 195) incidentes, a Blackwater agiu em autodefesa depois de ser atacada. Em contrapartida, os agentes da Blackwater foram os primeiros a atirar em 163 ocasiões", escreveu Waxman num documento divulgado na segunda-feira.Na prática, os agentes da Blackwater não estão obrigados a seguir nenhum código de conduta. No Iraque, uma diretriz específica decidida pela autoridade de ocupação americana isenta os agentes das companhias de segurança privada de responder a acusações por eventuais crimes praticados no país.Analistas militares consideram que as guerras travadas pelos Estados Unidos no Iraque e no Afeganistão seriam inviáveis sem a atuação das companhias de segurança privadas. Dezenas de milhares desses agentes atuam no Iraque atualmente, o que faz deles o segundo maior contingente estrangeiro no país árabe, atrás apenas das forças regulares americanas.

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